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sábado, 19 de agosto de 2017

The Tiny Book of Tiny Stories, Vol. 3



SPOILER FREE

Preguiça é uma coisa muito feia, mas às vezes irresistível (e alguns argumentam que move as inovações tecnológicas), então, vou dar uma copiada bonita em algumas passagens que escrevi para a resenha do "The Tiny Book of Tiny Stories, Vol. 2", até porque a diferença entre o vol.2 e o vol.3 é apenas o conteúdo em si, a alma do livro e o nível de qualidade é simplesmente o mesmo.

Esse é um livro que me foi sugerido por um site meio filosófico, que nem sempre tenho tempo de ler, infelizmente, chamado Brain Pickings. E apesar do nome do autor dizer um ator famoso, mas lá com os seus problemas artísticos, o livro na verdade é de um coletivo de artistas, esse sim "organizado" pelo tal ator.

E apesar da capa com jeito de livro infantil, o conteúdo é puramente artístico, composto de imagens com uma ou duas frases agregadas que trazem reflexões, contam histórias ou só são bonitas de ver.
É o tipo de livro leve, rápido e sensível que pode ser apreciado por qualquer pessoa de qualquer idade.

A versão eletrônica é melhor apreciada em tablet (ou pelo menos um celular com uma tela legal), e vale a pena conferir o tamanho das páginas no aplicativo para melhor observar os desenhos e as palavras, mas para quem curte um livro de papel, sugiro fortemente as versões físicas, que possuem uma capa dura lindíssima.
Acho que essa foi a resenha mais rápida e fácil que já escrevi! Ha! Mas brincadeiras e autoplágio à parte, curti mesmo o terceiro volume, tanto quanto o segundo, e novamente li no esquema "preciso de algo leve enquanto faço inalação por conta de uma sinusite chata". A parte triste é que não existe volume 4. Eu não me importaria nem um pouco de ler mais um desses.

Nota 9,5.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Adulthood is a myth - Ninguém Vira Adulto De Verdade



SPOILER FREE

Nas minhas leituras noturnas eu tenho dado preferência para livros como esse, da ilustradora e quadrinista americana Sarah Andersen, conhecida pela sua tirinha "Sarah's Scribbles". Mas esse não foi o caso! No final de junho e início de julho (para você ver como estou atrasada nas resenhas) eu peguei uma sinusite terrível, e precisei ficar 20 minutos duas vezes por dia fazendo inalação, e como isso é muito chato, eu acabava usando o tempo para ler. E por estar doente, dei preferência por leituras leves.

Sarah é uma personalidade bastante conhecida na internet, suas tirinhas tem fama de memes com alguma frequência e vivem aparecendo na minha timeline no Facebook, e olha que eu ainda não curtia a sua página (passei a fazer isso hoje ao pesquisar o link para o blog!). Então, não sei o quão útil é apresentar a autora e o seu trabalho. Ela é tão conhecida que o livro já saiu até aqui, com o título "Ninguém vira adulto de verdade" (não sei o quão aceitável ficou a tradução, li no original).

Para a galera que curte não gastar dinheiro, é bem provável que você encontre todo o conteúdo do livro na internet, mas não vai estar tudo juntinho, bonitinho e arrumadinho como no livro. Além de que autores da era digital também precisam de apoio financeiro, ninguém vive de curtida no facebook (quer dizer, poucos realmente conseguem essas coisas e mesmo assim não paga exatamente bem).

E para quem nunca ouviu falar (o que espero que seja raríssimo) segue uma página do livro para ter uma ideia da "pegada" da autora!



Como eu sou fã do seu trabalho, adoro o humor da Sarah, nota 10!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sleeping giants - Gigantes adormecidos

It was my eleventh birthday. I'd gotten a new bike from my father: white and pink, with tassels on the handles. I really wanted to ride it, but my parents didn't want me to leave while my friends were there. They weren't really my friends though. I was never really good at making friends. I liked reading; I liked walking in the woods; I liked being alone. And I always felt a little out of place with kids my age. So when birthdays came by, my parents usually invited the neighbor's kids over. There were a lot of them, some whose names I barely knew. They were all very nice, and they all brought gifts. So I stayed. I blew out the candles. I opened the presents. I smiled a lot. I can't remember most hte gifts because all I could think of was getting out and trying that bicycle. It was about dinnertime by the time everyone left and I couldn't wait another minute. It would soon be dark; once ir was, my father wouldn't let me leave the house until morning.


SPOILER FREE

Esse foi um livro que escolhi para ler para o tema "uma história que se passa no futuro", e que eu comprei numa promoção da Amazon porque achei a premissa interessante, porque estava muito bem indicado pela internet, e, por fim, porque achei que o autor era mulher.

Primeiro, Sylvain não é mulher, apesar dos melhores personagens do livro serem femininas (o que já valeu a pena), segundo, o livro é de ficção científica, mas não é clara a época em que se passa a história (mas vou ignorar porque no desafio dizia que podia linhas temporais alternativas, o que certamente compreende esse enredo), terceiro, apesar disso tudo valeu muito ter comprado e lido o livro.

O livro é muito original, não só em termos de enredo e de personagens (amei todos eles, mas especialmente as personagens femininas, que são maravilhosas), mas também em formato. O livro é todo escrito em forma de arquivo, como se você tivesse acompanhando os registros de um caso do governo, com direito a diários de bordo e entrevistas (tem mais entrevistas do que qualquer outra modalidade, mas isso também é original). Por conta dessa característica, confesso que estou doida para ver uma adaptação para cinema ou televisão, ficaria lindo.

O único defeito do livro é que ele tem uma continuação, e o final desse volume é um senhor gancho que torna difícil o leitor se controlar e não comprar logo o volume seguinte (estou exercitando fortemente o meu autocontrole desde então).

Em linhas gerais, o livro tem uma série de entrevistas conduzidas por um personagem que ninguém sabe quem é (ele parece um desses agentes de agências que formalmente não existem), que conversa com diversas pessoas envolvidas num projeto gigantesco envolvendo uma espécie de robô gigante que se supõe que foi criado por extraterrestres quando o ser humano ainda vivia na idade da pedra. Por motivos óbvios, o livro tem uma pegada um tanto de anime japonês. O que, para mim, é positivo.

"Sleeping Giants", lançado ano passado por aqui com o título "Gigantes Adormecidos", é um dos livros de ficção científica mais interessantes que li, e espero que a continuação entre logo em promoção, porque quero saber como a história continua!

Nota 10, acho que a primeira para esse estilo que eu dou!


domingo, 13 de agosto de 2017

Trigger warning - alerta de risco


 Making a chair

Today I intended to begin to write.
Stories are waiting like distant thunderstorms
grumbling and flickering on the gray horizon
and there are emails and introductions
and a book, a whole damn book
about a country and a journey and belief
I'm here to write.

I made a chair.
I opened a cardboard box with a blade
(I assembled the blade)
removed the parts, carried them, carefully, up the stairs.

"Functional seating for today's workplace"
I pressed five casters into the base,
learned that they press in with a most satisfying pop.
Attached the armrests with the screws,
puzzling over the left and the right of it,
the screws not being what they should be
as described in the instructions. And then the base
beneath the seat,
which attached with six 40mm screws (that were
puzzlingly six 45mm screws).

The the headpiece to the chairback,
the cairback to the seat, which is where the problems start
as the middle screw on either side declines
to penetrate and thread.

This all takes time. Orson Welles is Harry Lime
on the old radio as I assemble my chair. Orson meets a dame
and a crooked fortune-teller, and a fat man,
and a New York gang boss in exile,
and has slept with the dame, solved the mystery,
read the script
and pocketed the money
before I have assembled my chair.

SPOILER FREE

Nunca imaginei que eu fosse ficar tão atrasada com minhas resenhas, ainda mais quando o próximo livro na lista fosse do Neil Gaiman.

Como comentei em outros posts, adquiri como novo hábito ler no celular antes de dormir, o que significa que agora eu tenho lido pelo menos 2 livros ao mesmo tempo, um no kindle e outro no celular. E no celular eu tenho dado preferência por livros que não tirem o meu sono, em outras palavras, livros de contos são ótimos para isso e os meus agora tem voado da estante virtual.

"Trigger warning", ou "Alerta de risco" em sua tradução para o português, é um livro de contos do autor inglês Neil Gaiman, famoso por aqui no blog por eu ser uma grande fã. Gaiman é um autor que eu gosto especialmente pelo seu lado sombrio, inclusive quando escreve histórias supostamente infantis. Outros livros de contos que já li dele você pode encontrar aqui e aqui.

Como todo livro de contos, é claro que tem os seus altos e baixos, mas sendo Neil Gaiman os baixos são mais para altos. Além disso, nem tudo são exatamente contos, alguns são novelas (um termo usado pelos americanos para um conto muito grande ou um romance curto), outros são poemas, como o que está ilustrando essa resenha. E para os fãs de carteirinha, esse livro inclui o texto original de "The Sleeper and The Spindle" e um conto com o personagem principal de "American Gods" (que agora virou uma excelente série de TV) Shadow Moon, que é o ponto alto desse volume, na minha opinião.

De forma geral, é um dos livros de contos do Gaiman mais eclético que já li, o que o torna uma excelente opção para quem quer conhecer o autor. Com exceção do último conto, do Shadow Moon, que se aprecia melhor já tendo lido American Gods (ter visto a série não conta, ainda, quem sabe depois da segunda temporada).

Nota 9.

domingo, 23 de julho de 2017

Lost in Translation



SPOILER FREE

Eis um livro muito fofo que eu confesso que usei para ler antes de dormir simplesmente porque  sabia que não me tiraria o sono. Composto de imagens misturadas com traduções de palavras de diversas línguas, "Lost in translation" é uma delícia para ser apreciada. (não confundir com o filme!)

Ilustrado pela Ella France Sanders, de quem eu não consegui descobrir nada pela internet além do fato de ser ilustradora e ter vivido em diversos lugares, o livro tem momentos realmente sensacionais. O ser humano é realmente incrível, e nossa criatividade para inventar palavras é impressionante.
O livro se resume em definir diversas palavras "estranhas" que, a princípio, só existem no seu idioma de origem, precisando de toda uma explicação em outras línguas, o que nos faz pensar sobre a cultura que cunhou a tal palavra. O único problema é que eu pessoalmente não curti muito as traduções das palavras de origem portuguesa do livro, não que estejam erradas, mas não são lá muito exatas. Mas imagino que seja esse o maior problema de toda e qualquer tradução, não é mesmo? Ainda mais de casos como os propostos pela autora/ilustradora.

Um livro gostoso de ler e ótima sugestão de leitura para qualquer momento.

Nota 9.




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Feminist Fight Club: An Office Survival Manual for a Sexist Workplace

   There is no right way to read this book. Read it front front to back, open it in the middle, or treat it like a cookbook: flip to the sections you like best, put comments and notes where you want, copy them out and slide them underneath your boss's door.
   The goal of this book is to provide you with battle tactics: simple, easy to follow, effective tricks for combatting sexist, subtle sexist, overtly sexist, and sometimes just oblivious behaviors that exist in even our most progressive offices.
    Much of what you'll read here is inspired by my own experiences, sources, and friends. But it is also backed up by data: vetted, published, peer-reviewed research you can find documented at the end. The tone of this book may be light, but tis basis is not-and not a premise or fight move exists without statistical evidence to back it up.

SPOILER FREE

Esse foi um livro perfeito para as minha leituras antes de dormir, capítulos curtos e divertidos, sem linha narrativa que tirasse o meu sono. E de quebra, cheio de ideias interessantes para colocar em prática em casos de sexismo no local de trabalho (quem nunca?).

A melhor parte do livro, entretanto, é a parte de dados estatísticos (como não achar isso sendo estatística?), visto que nem sempre as ideias são muito aplicáveis quando você é a única mulher numa reunião, por exemplo. Ou quando algumas sugestões não fazem muito sentido fora da cultura estado-unidense. Mas estatísticas são sempre úteis, e estatísticas de um país que a maioria no ambiente corporativo julgam como "o máximo", "perfeito" ou "muito melhor que o Brasil" são ainda melhores, porque se lá a coisa é feia, imagine aqui.

Agora, o livro é dividido em temas, uma parte dedicada apenas a estereótipos masculinos sexistas (entre os objetivamente sexistas e os que "não percebem" que o são), outra apenas a estereótipos femininos (no sentido de você perceber que as coisas não são bem assim e como fugir deles), tudo com muito bom humor e sempre incentivando o sentimento de sororidade. Tudo muito lindo e muito divertido, mas um tanto quanto repetitivo, visto que segue uma formuleta: primeiro uma descrição engraçada, depois uma lista de sugestões de como tratar o problema, de vez em quando tem uma ilustração legal no meio.

E no final do livro tem uma lista que eu curti particularmente. Uma lista de movimentos e grupos feministas ao longo da história (mas basicamente a partir do século XIX), cheio de ideias e atitudes sensacionais. É uma grande lista de realizações de mulheres poderosas e cheias de atitude! Dá gosto de ler.

A notícia ruim é que ainda não foi traduzido para o português, a notícia boa é que é possível encontrar na Amazon e na Livraria Cultura em forma de livro digital.

Precisamos de mais livros e grupos e atitudes assim.

Nota 9,5

terça-feira, 13 de junho de 2017

The Story of the Lost Child - A história da menina perdida

From October 1976 until 1979, when I returned to Naples to live, I avoided resuming a steady relationship with Lila. But it wasn't easy. She almost immediately tried to reenter my life by force, and I ignored her, tolerated her, endured her. Even if she acted as if there were nothing she wanted more than to be close to me at a difficult moment, I couldn't forget the contempt with which she had treated me.

SPOILER FREE

E esse é o último volume da quadrilogia napolitana da autora italiana Elena Ferrante. Em português o livro foi lançado com o título "A história da menina perdida", mas como comentei anteriormente, eu li essa série num Kindle emprestado, e a dona do Kindle só tinha o último volume em inglês (não sei por qual razão misteriosa), então, li o bendito em inglês mesmo.

Como nos livros anteriores, Elena Ferrante dá uma aula de narrativa, sensibilidade e realismo, com uma qualidade literária simplesmente notável. A princípio a mudança no idioma me "soou" estranha, e o uso de algumas expressões direto do italiano por falta de uma opção razoável em inglês, o que não ocorre nas traduções brasileiras, ficou engraçado até me acostumar.

Fora a questão idiomática, os dramas que surgem nesse volume são excelentes, não só para ilustrar todas as questões femininas que já estavam sendo tratadas e desenvolvidas ao longo da narrativa até esse momento, mas como fechamento dessa história. É uma história completa, tem amor, ódio, tristeza, felicidade, traição... é uma grande colcha de retalhos de sentimentos, num retrato bastante realista da vida. Não é à toa que acham que a obra é autobiográfica.

Nesse último livro da quadrilogia, Elena traz a fase madura de sua vida e de sua amizade com Lila, quando as duas já possuem vidas e carreiras estabelecidas, o que não as torna imunes a tragédias. E quando a(s) tragédia(s) acontece(m) toda a questão passa ser como se reage a ela(s) e se ela(s) é (são) superáveis pela personagem.

Elena Ferrante produziu uma obra de peso. Depois dessa quadrilogia estou curiosa com outros livros já publicados pela autora.

Nota 10.