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domingo, 20 de maio de 2018

Islam: A Short History



SPOILER FREE

Nas minhas pesquisas sobre o Oriente Médio acabei por descobrir essa autora, Karen Armstrong, que escreve muito sobre o desenvolvimento das três religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo). Andei conseguindo algumas das suas obras para kindle, mas ainda não tinha conseguido parar para ler nada dela.

Esse livro em particular, tem como objetivo contar de forma bastante sucinta a história do Islã, desde a revelação do Corão a Maomé até a primeira guerra no Iraque (aquela com o Kuwait). Como a edição que eu comprei tem uma revisão, no final a autora acrescentou um epílogo que fala sobre o 11 de setembro, o que achei muito interessante e particularmente bem colocado dentro do contexto do livro.

O livro em si é até curtinho, tem apenas umas 300 páginas, o que mostra o trabalho de concisão que a autora precisou fazer. A contrapartida disso é que realmente ela não teve como se aprofundar em absolutamente nada. Levando isso em consideração, o livro é maravilhosamente bem escrito e profundo dentro do possível.

O que achei mais interessante no trabalho da Karen Armstrong é a sua capacidade empática de se colocar no lugar do outro, e assim escrever sobre o pensamento islâmico e sua história de forma tão sincera. Percebe-se que há um esforço para quebrar preconceitos, mal entendidos e desinformação acerca do islamismo. Bravo Karen!

Um dos melhores livros que já li sobre o assunto. Simples assim. O único pecado é a pouca profundidade, mas entendo que esse era o objetivo da obra, então, não posso reclamar.

Recomendo para todos.

Nota 10.

Madinah: City Stories from the Middle East



SPOILER FREE

Entrei numa fase meio oriental, então resolvi continuar lendo sobre o oriente médio. Para as minhas leituras noturnas, eu gosto de dar preferência para livros de contos ou livros de não ficção, que é o tipo de leitura que dá para parar no meio (ou no final do conto). Para minha sorte, fazia pouco tempo que eu tinha conseguido essa coletânea de contos de autores árabes numa promoção.

Primeiro preciso dizer que nem sempre gosto do trabalho da organizadora dessa coleção, a libanesa Joumana Haddad, mas ela é uma figura importante no cenário literário e feminista do Líbano, então eu sigo de perto o que ela produz. E dessa vez fiquei muito satisfeita.

O livro tem como proposta trazer histórias passadas em diversas cidades de países árabes, através de contos de diferentes autores que nem sempre são impressos fora dos seus países. São 10 autores, em 10 cidades, e oito contos traduzidos do árabe e do hebraico.

Como todo livro de contos, tem os seus altos e baixos, mas dessa vez a média foi acima do que eu esperava, e aproveitei para conhecer diversos autores novos que já entraram na minha lista para futuras leituras. E como os autores selecionados são todos contemporâneos, achei interessante, afinal estava na hora de eu atualizar um pouco a minha leitura de escritores árabes para uma época mais moderna. Não que eu vá deixar de ler os autores mais antigos, claro, Naguib Mahfouz continua sendo maravilhoso.

Recomendo a leitura para quem gostaria de ler algo diferente, passado no mundo árabe moderno, e com boa qualidade.

Nota 9.

Her Reasons #1



SPOILER FREE

Quem segue o meu blog ou minhas leituras no Goodreads já percebeu que de tempos em tempos eu preciso ler algo meio trash para esvaziar a cabeça. Dessa vez, por conta de um comentário de uma amiga minha que tem o mesmo hábito, escolhi esse livro.

Claro que eu não leio esse tipo de coisa esperando uma obra-prima ou algo maravilhoso, veja bem, esse certamente não é o meu propósito. Mas eu estava animada pelo fato do tema incluir um relacionamento poli amoroso, o que não é um tema comum, ainda mais no caso que eu descobri que tem até um nome específico em inglês "reverse harem", harém reverso.

Nesse quesito o livro entrega exatamente o que eu esperava, um relacionamento de uma moça com diversos caras lindos. O problema nesse caso, é que como o livro é muito curtinho e superficial, eu não tenho a menor ideia de quem era quem. E como esse é o primeiro volume de uma série, só teve uma cena legal dentro daquilo que eu estava realmente esperando em ler, se é que vocês me entendem.

Como os livros da autora são baratinhos e ela não escreve mal, no sentido de conter erros grotescos ou situações ridículas, eu pretendo ver no que vai dar. Até porque a autora parece que vai tratar dos problemas que eu espero que sejam tratados numa situação poli amorosa. Mas isso não quer dizer que o livro seja maravilhoso, nem mesmo dentro do estilo.

Nota 7.

Mr. Penumbra's 24-Hour Bookstore - A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra



SPOILER FREE

Eis um livro que entrou na minha lista porque a premissa era interessante demais para deixar passar. Um jovem recém saído da faculdade e desempregado acaba arranjando um emprego numa livraria 24h (no turno da noite, claro) que ele não entende muito bem como funciona. Seu trabalho consiste basicamente em emprestar livros que não existem e anotar como os clientes estavam ao solicitarem o livro. Claro que os clientes também não são exatamente normais.

Como resistir a isso?!?!?

Logo, comprei o livro numa promoção da Amazon e comecei a ler porque que o tema do desafio literário de maio é um livro sobre livros.

Confesso que a princípio achei que eu estava forçando um pouco a barra no tema do desafio porque achei que o livro era mais sobre a livraria do que sobre um livro, mas ainda bem que fiz isso. Acabei por descobrir que o livro se encaixa perfeitamente no tema. Mais do que isso será spoiler.

Robin Sloan me surpreendeu com sua história sobre a livraria 24h, com direito a uma descrição maravilhosa do complexo da Google na Califórnia, sociedades secretas e mistérios centenários. Os contrastes são deliciosos e a história é simplesmente empolgante. É o tipo de livro que você não quer largar para descobrir o que vai acontecer e até terminar de ler.

E caso o autor tenha realmente feito uma boa pesquisa sobre diversos assuntos, você ainda aprende um monte de coisas interessantes. A forma como funciona a Google é muito bacana, por exemplo. É um livro que faz a gente ter gosto por viver no nosso mundo moderno.

Detalhe interessante que fica ainda melhor depois de ter lido o livro: a versão impressa americana tem uma capa que brilha no escuro!

Nota 10.

The Life-Changing Magic of Not Giving a F*ck - A Mágica Transformadora do F*



SPOILER FREE

Resolvi ler esse livro porque uma amiga minha gostou muito e eu achei o título e a paródia absolutamente irresistíveis. Para quem não percebeu, a paródia é do livro da Marie Kondo "The Life-Changing Magic of Tidying" (ou "A mágica da arrumação" em português).

Não é preciso ter lido Marie Kondo para apreciar "A mágica transformadora do F*", mas a leitura fica muito mais engraçada se você tiver lido. Sarah Knight consegue escrever um livro estilo autoajuda que, enquanto você chora de rir, você não tem absoluta certeza se ela está falando sério ou só te sacaneando. Provavelmente os dois. Preciso dizer que adorei esse estilo de humor.

A leitura é especialmente leve e gostosa, apesar da abundância do f* (sei que tem pessoas que não gostam de leituras com esse tipo de vocabulário, mesmo em comédia, então fiquem avisados). Chega a ser libertador, e certamente esse era um dos objetivos da autora. E comédia ou não, você fica realmente pensando em aplicar diversas ideias na sua vida, o que certamente vai deixar seu dia a dia mais leve e feliz. E considerando que vivemos num mundo com excesso de informações e obrigações, talvez seja realmente necessário para ninguém enlouquecer e ter um dia de fúria. Ou sair xingando meio mundo no whatsapp ou no facebook.

Leitura recomendada.

Nota 10.


Nine Parts of Desire: The Hidden World of Islamic Women - Nove Partes do Desejo - O Mundo Secreto das Mulheres Islâmicas



SPOILER FREE

Virei fã da Geraldine Brooks quando li As Memórias do Livro, um livro indicado pela minha sogra. E como eu gostei muito, ela ainda me deu de presente essa preciosidade. Como esse seria um livro que eu precisaria fazer diversas anotações e apontamentos, e somando a minha campanha de trocar meus livros físicos por livros digitais (campanha ainda em andamento e de sucesso limitado por questões de amor por livros), acabei por conseguir uma versão em kindle com o texto original em inglês (vide a capa original acima).

Logo, percebe-se que esse foi um livro que já estava na minha lista de leituras há algum tempo, o que é muito normal, mas eu leio tentando diminuir a lista, que só aumenta (novamente a questão de amor por livros). De qualquer forma, finalmente ele entrou em pauta, e novamente não me arrependi de ler Geraldine Brooks.

Além de autora de romances, Geraldine foi durante muitos anos uma repórter que trabalhou exclusivamente com Oriente Médio, morando em diversos países árabes com seu marido, um judeu. Nove partes do desejo é um grande levantamento de tudo o que ela viveu e experienciou durante os anos de estadia em países como Irã, Marrocos, Iraque, Arábia Saudita e Egito.

Levando em consideração que ela é judia (por conversão por conta do casamento), eu confesso que fiquei positivamente surpresa com suas leituras e posicionamentos relativamente sem preconceito (não são 100% livres de preconceito não, preciso apontar). Por questões culturais locais, ela acabou por se relacionar muito mais com as mulheres nesses lugares, e a vida feminina no mundo árabe acabou por se tornar o seu tema principal de trabalho, o que a torna uma das poucas jornalistas que tratam especificamente desse assunto.

Dessa forma, o livro é maravilhosamente rico em informação sobre como as mulheres árabes vivem, sem fantasias orientalistas. Sendo necessário lembrar apenas que esse livro foi lançado no meio da década de 90, e alguma coisa certamente já mudou desde então, enquanto outros temas do livro parecem absolutamente contemporâneos, como a questão da permissão para mulheres sauditas dirigirem.

Fora a questão puramente jornalística, que é muito boa no livro, Geraldine inclui no seu texto diversas críticas relacionadas à questão das mulheres no mundo islâmico. Na maior parte das vezes suas críticas são feitas de forma muito construtiva e até justa. Mas infelizmente é aí que de vez em quando seu posicionamento pode se tornar um tanto quanto preconceituoso, e é necessário que o leitor exerça um certo grau de cuidado na leitura, para acabar não repetindo alguns exageros.

No geral, é um livro absolutamente maravilhoso e uma excelente fonte de informação e até mesmo de quebra de alguns paradigmas. Recomendo. E pretendo ler mais da autora.

Nota 9.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

The Golem and the Jinni



SPOILER FREE


Esse foi um livro que ouvi falar bem no Goodreads, daí entrou na minha wishlist, depois uma amiga leu e confirmou que era bom e me deu um ultimato para ler logo. Soma-se a isso o fato de que o tema do desafio literário do mês de abril era uma história oriental...

Deixe-me explicar, realmente, a autora não é oriental, ela é norte-americana. Porém, toda a mitologia que ela pesquisou para escrever Golem e o Gênio (título do livro em português) é, sim, oriental. E ela fez escolhas felizes nesse sentido, um Golem é um ser animado feito a partir de argila que existe na mitologia/simbologia/cabala judaica, enquanto um gênio é um ser feito de fogo que existe na mitologia árabe. Tem coisa mais simbólica do que misturar mitologia árabe e judaica? Ficou tão lindo que a autora até ganhou o prêmio Nebula com esse livro.

Mas ela mereceu o prêmio não só pelo enredo tão simbólico nos dias de hoje, mas também pela sua qualidade narrativa. O livro é tão bem escrito que eu quase chorei quando procurei e não encontrei outros livros publicados da autora. É triste demais isso. Pessoas que escrevem bem assim precisam publicar muito!!!

Mas eu entendo que um livro dessa qualidade e quantidade de pesquisa demore para ser escrito.

Porque veja bem, Helene não só pesquisou as mitologias necessárias, mas como a história se passa em diferentes comunidades de imigrantes em Nova Iorque no final do século XIX, foi necessário toda uma pesquisa sobre como eram essas comunidades, que tipos de pessoas migravam e como era a cidade na época. E, do que eu conheço do assunto (o que não é muito, mas também não é zero), posso dizer que a pesquisa dela foi um primor.

As suas descrições de Nova Iorque são uma beleza, assim como as descrições de diversas cidades e lugares do Oriente Médio, de onde vem quase todos os personagens do livro. E que personagens! São todos maravilhosos, não quero dizer que sejam todos bonzinhos, eles são todos bons personagens, com complexidade, críveis.

Se me deixarem vou escrever páginas e páginas de louvores a esse livro, então, vamos fechar:

Nota 10.