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sábado, 22 de abril de 2017

Paroles

LE CANCRE

Il dit non avec la tête
mais il dit oui avec le coeur
il dit oui à ce qu'il aime
il dit non au professeur
il est debout
on le questionne
et tous les problèmes sont posés
soudain le fou rire le prend
et il efface tout
les chiffres et les mots
les dates e les noms
les phrases et les pièges
et malgré les menaces du maître
sous les huées des enfants prodiges
avec des craies de toutes les couleurs
sur le table noir du malheur
il dessine le visage du bonheur
 
SPOILER FREE

Esse é um autor que me lembra as aulas de francês na Aliança Francesa, e que aprendi a apreciar na biblioteca que tinha na Aliança que eu frequentava. Bons tempos!

Sou fanzoca do Jacques Prévert, com seu humor tão francês e sua crítica pesada à igreja e às maldades do ser humano. Gosto de boa parte do que ele escreve, o que me torna uma leitora enviesada. E gosto especialmente dos seus textos sobre as guerras, visto que ele vivenciou as duas grandes guerras do século XX.

Nas aulas de francês, inclusive nas escolas francesas, ele é muito estudado por sua poesia, mas ele também era roteirista e fazia alguns trabalhos plásticos, e foi muito importante para o cinema francês, e parte de suas poesias também foi musicada, a mais famosa é "Les feuilles mortes".

Para quem não fala francês, tem um livro dele bilíngue que eu gosto muito, chamado "Poemas", que tem uma bela seleção de 43 poemas dele. Super indico.

Para quem fala francês, Paroles é uma obra sensacional, com textos que variam muito de estilo e de temas, bem a cara de Jacques, é um dos seus livros mais importantes e representativos. Vale muito a leitura.

Nota 10!

Teus pés toco na sombra - poemas inéditos

5
Por el cielo me acerco
al rayo rojo de tu cabellera.
De tierra y trigo soy y al acercarme
tu fuego se prepara
dentro de mí y enciende
las piedras y la harina.
Por eso crece y sube
mi corazón haciéndose
pan para que tu boca lo devore,
y mi sangre es el vino que te aguarda.
Tú y yo somos la tierra con sus frutos.
Pan, fuego, sangre y vino
es el terrestre amor que nos abrasa.
 
SPOILER FREE

Um dos poetas mais influentes e importantes do século XX, Neruda! E esse foi o meu primeiro livro dele. Adianto que isso aconteceu em parte porque ando procurando ler poesias no original quando posso compreender o idioma, e o espanhol, apesar de não ser o meu forte, ainda dá pra brincar de ler. E não sei o que acontece, mas não é tão fácil encontrar Neruda nas livrarias. Será que está fora de moda?

Enfim, encontrei esse livro já não me lembro mais aonde, e apesar de ser composto apenas de poemas inéditos, descobertos, selecionados e publicados no século XXI, estava numa bela edição bilíngue (oba!) com direito a fac-símiles no final, com os cardápios, pedaços de papel, etc onde os textos foram encontrados.

Dito isso, é importante ressaltar que parte dos textos inclusive está inacabado, e alguns chegaram a ser rabiscados pelo autor, e, claro, é provável que ele nunca tenha nem pensado em publicar diversos deles, o que deixa o livro bastante inconstante e comparado ao trabalho publicado certamente deixa a desejar.

Mas Neruda é Neruda, e eu gostei demais de muita coisa que tem no livro, o que mostra o quão genial ele é. Se o que ele deixou largado em pedaços de papel é assim, imagina o que ele trabalhou em cima e publicou?

Já estou com outro livro dele na estante me aguardando (outra edição bilíngue, como é difícil de achar!), e talvez eu consiga lê-lo ainda esse ano, vamos ver. Tenho certeza que também vai valer a pena.

Nota 8,5.

Poemas da Antologia Grega ou Palatina

SAFO
VII:489

Eis as cinzas de Timas: morta pouco antes de casar-se,
          Perséfone a acolheu em seu quarto sombrio.
Assim que ela morreu, as amigas, tão jovens quanto ela,
          cortaram-se os cabelos com ferro afiado.
 
SPOILER FREE

Então, continuo firme e forte no projeto de ler um poema por dia. É um hábito muito revigorante para a mente! E tenho feito isso num sistema de rodízio de livros, alternando autores, estilos e a língua em que está escrito o texto.

Esse livro eu encontrei na Livraria Cultura no Centro do Rio, e a primeira vista fiquei absolutamente encantada com a edição bilíngue! Daí quando comecei a ler passei a ver que o livro não era exatamente o que eu imaginava, pois muitas das poesias apresentadas na verdade são trechos de obras maiores, e o lance é que são pedaços de um compêndio feito há alguns séculos por um fã de poesia grega onde ele colecionou diversos pedaços de poesia classificando por temas e épocas.

A leitura é interessante, e estudiosos de literatura devem se interessar muito por essa obra, mas para o leitor "comum" é um tanto quanto estranho. Além disso, a edição fez uma escolha pouco prática de incluir todas as notas sobre os autores e obras apresentadas no final, sem nenhum tipo de conexão com o texto, não tem número para levar às notas, e as notas não indicam à qual página se referem, o que dificulta muito o seu uso. E como eu fui lendo no esquema conta-gotas, confesso que só realmente vi que haviam notas quando terminei de ler tudo, e, claro, as notas já não serviram de nada. O que achei uma pena, pois são muito ricas e poderiam ter tornado a leitura muito mais interessante.

Fica a dica das notas para quem quiser se aventurar nesse livro!

Nota 7.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Petrobras: Uma história de orgulho e vergonha

Quando aceitei a tarefa de escrever este livro, em maio de 2014, ninguém - nem os policiais federais que iniciaram a Operação Lava Jato, nem os funcionários mais desconfiados da Petrobras, nem os mais ferrenhos críticos das gestões petistas - tinha ideia da extensão da corrupção que havia se instalado na estatal. Àquela altura, a Lava Jato estava em seu estágio inicial. Na verdade, estava em ponto morto. Nenhum acordo de delação premiada havia sido fechado. O investigado que jogara a estatal no radar da operação, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, havia sido preso pela primeira vez, mas já estava solto. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, tinha suspendido as investigações e quase libertado todos os presos a pedido dos advogados de Costa.
 
SPOILER FREE

Esse é um livro que resolvi ler por motivos profissionais, trabalhando na Petrobras é meio que leitura obrigatória, mas, tem a vantagem de se encaixar perfeitamente no tema do Desafio Literário desse mês, um livro sobre ou baseado em uma história real.

A minha amiga que me emprestou havia me avisado que o livro era ruim, no sentido de ser muito tendencioso, mas, eu precisava ler e ver com meus próprios olhos.

Ela estava certa.

Escrito por uma jornalista, e definitivamente não por alguém especializado em corrupção, história e outros assuntos necessários para realmente compreender tudo o que está envolvido na história da maior companhia do país e as corrupções que a sangram desde sempre, o livro tem informações interessantes (e fofocas de corredor quentes e divertidas), mas a forma como elas são apresentadas é risível de tão tendenciosa. Mas tenho certeza que muita gente achou o máximo só porque mostra corrupção ocorrendo durante os governos petistas. Como se isso fosse alguma novidade na história do Brasil. Só rindo.

Com uma análise bem básica dos números apresentados e a diferença em como a jornalista tratou os períodos históricos que precisavam ser analisados para justificar as afirmações grandiosas que ela faz sobre a operação lava jato, já dá pra ver que o livro foi escrito para ser sensacionalista, e não mais do que isso. Além disso, tem o problema do livro ter sido escrito antes de toda a confusão realmente acabar, o que o torna um conjunto de informações e """"análise"""" (precisa de muitas aspas sim) incompleta.

Então, é uma pena. Alguém que se deu o trabalho de ver tantas fontes e simplesmente não aproveitou para fazer um bom trabalho. Podia ter também esperado mais um pouco e fazer a coisa direito, até o fim, ao invés de escrever esse peso de papel.

Nota 3.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Show your work!

    When I have the privilege of talking to my readers, the most common questions they ask me are about self-promotion. How do I get my stuff out there? How do I get noticed? How do I find an audience? How did you do it?
    I hate talking about self-promotion. Comedian Steve Martin famously dodges these questions with the advice, "Be so good they can't ignore you." If you just focus on getting really good, Martin says, people will come to you. I happen to agree: You don't really find an audience to your work; they find you. But it's not enough to be good. In order to be found, you have to be findable. I think there's an easy way of putting your work out there and making it discoverable while you're focused on getting really good at what you do.
SPOILER FREE

Mais um livro na tentativa vã e aparentemente fútil de ler o que tem na minha biblioteca do kindle (nem falo mais no aparelho, até porque o pobre bateu as botas no início do ano, uma tristeza). Mas como mencionei no post anterior, tenho lido no celular a noite (pelo motivo de ser mais leve - no sentido literal) e tenho dado preferência a livros curtos e leves - no sentido figurado, e como eu já tinha lido e adorado o grande best-seller desse autor, "Roube como um artista", o que rendeu a inclusão na minha wishlist e posterior compra em promoção deste título, "Show your work" estava na minha biblioteca.

O trabalho de Austin Kleon, além de interessante do ponto de vista das ideias e do trabalho visual que ele realiza ao longo do texto, pode ser considerado de utilidade pública. Talvez porque eu simplesmente concorde com o que ele defende, mas eu prefiro achar que é porque ele tem razão e realmente mostra essas ideias com bons argumentos.

Dessa vez, ele vem mostrar que no mundo "internético" em que vivemos o que não falta é formas de mostrar o seu trabalho e se autopromover (no bom sentido!). E o divertido é que eu já me peguei fazendo diversas dessas coisas, e já cansei de dizer pra outros artistas fazerem também. E aí, eu assumo a culpa, o meu problema pessoal é a falta de constância em realizar essas autopromoções ou partilhas. A única coisa que realmente consigo manter constante é esse blog aqui de leitura :-)

Mas, sem mais delongas, o livro trata de forma muito leve, divertida, cheia de imagens e citações interessantes desses 10 pontos aqui (tradução livre minha):

1.   You don't have to be a genius / Você não precisa ser um gênio
2.   Think process, not product / Pense no processo, não no produto
3.   Share something small every day / Compartilhe algo pequeno todos os dias
4.   Open up your cabinet of curiosities / Mostre a sua coleção de curiosidades
5.   Tell good stories / Conte boas histórias
6.   Teach what you know / Ensine o que você sabe
7.   Don't turn into human spam / Não vire um spam humano
8.   Learn to take a punch / Aprenda a levar socos
9.   Sell out / Esgotado
10. Stick around / Mantenha-se presente

Infelizmente esse livro do Austin ainda não foi traduzido para o português, mas é fácil encontrar o livro em inglês nas livrarias e em e-books. Super recomendo.

Nota 10!

Howl's Moving Castle - O Castelo Animado

   In the land of Ingary, where such things as seven-league boots and cloaks of invisibility really exist, it is quite a misfortune to be born the eldest of three. Everyone knows you are the one who will fail first, and worst, if the three of you set to seek your fortunes.
   Sophie Hatter was the eldest of three sisters. She was not even the child of a poor woodcutter, which might have given her some chance of success! Her parents were well to do and kept a ladies' hat shop in the prosperous town of Market Chipping. True, her own mother died when Sophie was two years old and her sister Lettie was one year old, and their father married his youngest shop assistant, a pretty blonde girl called Fanny. Fanny shortly gave birth to the third sister, Martha. This ought to have made Sophie and Lettie into Ugly Sisters, but in fact all three girls grew up very pretty indeed, thought Lettie was the one everyone said was more beautiful. Fanny treated all three girls with the same kindness and did not favor Martha in the least.
 
SPOILER FREE

Mais um livro no tema "que teve alguma adaptação" para o desafio literário de março, dessa vez para desenho animado pelo mestre japonês Miyazaki. O original foi escrito pela britânica Diana Wynne Jones, famosa por outras séries além dessa, que tem 3 livros, como Chrestomanci (que eu ainda vou ler, está na lista).

A escolha foi meio aleatória, porque o meu kindle virou um tijolo e ainda não peguei outro (estou o usando o do maridão de vez em quando, mas o dele tem acesso limitado à minha biblioteca por motivos ainda não identificados), e como tenho usado o celular para ler antes de dormir, topei com ele no meio da minha biblioteca virtual enquanto procurava algo que não fosse nem longo nem pesado para ler à noite.

E foi uma agradável surpresa! Para um livro publicado em 1986 a personagem principal Sophie é extremamente independente e feminista. Mas isso em termos de época, ela não é nenhuma Celaena, vamos deixar isso bem claro. O romance no livro não é o que eu diria sensacional, mas foge de uma grande parte dos problemas dos relacionamentos de livros young adult e não deixa, de alguma forma, de ser fofo. E vamos lembrar que essa é uma autora mulher quebrando padrões de gênero escrevendo fantasia, e que fantasia!

Falei do relacionamento, mas esse definitivamente não é o foco do livro (ponto positivo!), o que não pode ser dito com a mesma veemência do filme de Miyazaki (ah, os japoneses...). O livro trata muito mais de como superar limites (às vezes autoimpostos) e vencer obstáculos, tanto reais quanto imaginários, o que o torna muito mais interessante. Toda a questão dos relacionamentos familiares, entre Sophie, suas irmãs e a madrasta, de amizades feitas e desfeitas (gente, o que é o Calcifer? que personagem mais delícia), tudo compõe um livro simplesmente bonito e cheio de simbolismos.

Pena que a adaptação japonesa perca parte desses simbolismos e relacionamentos, em parte por conta da necessidade de adaptar a história para menos de 2h de filme, em parte por uma questão cultural, porque o filme é muito japonês mesmo. De todos os personagens, talvez o que sofreu menos modificações tenha sido o demônio Calcifer, porque outros simplesmente foram misturados, estilo três em um. E olha que o filme ficou legal! Perdeu muito da questão do empoderamento da personagem principal (na minha opinião), mas, como eu disse, é uma questão cultural mesmo, no Japão até as personagens femininas empoderadas são assim de uma forma diferente do que estamos vendo surgir no ocidente (isso as personagens que eu conheço).

Agora é esperar o segundo livro da série entrar em promoção para poder comprar e ler!

Nota 9.

terça-feira, 14 de março de 2017

O diabo veste Prada

The light hadn't even turn green at the intersection of 17th and Broadway before an army of overconfident yellow cabs roared past the tiny deathtrap I was attempting to navigate around the city streets. Clutch, gas, shift (neutral to first? Or first to second?), release clutch, I repeated over and over in my head, the mantra offering little comfort and even less direction amid the screeching midday traffic. The little car bucked wildly twice before it lurched forward through the intersection. My heart flip-flopped in my chest. Without warning, the lurching evened out and I began to pick up speed. Lots of speed. I glanced down to confirm visually that I was only in second gear, but the rear end of the cab loomed so large in the windshield that I could do nothing but jam my foot on the brake pedal so hard that my heel snapped off. Shit! Another pair of seven-hundred-dollar shoes sacrificed to my complete and utter lack of grace under pressure: this clocked in as my third such breakage this month. It was almost a relief when the car stalled (I'd obviously forgotten to press the clutch when attemting to brake for my life).

SPOILER FREE

E chegamos no tema do Desafio Literário de março! Livros que tiveram alguma adaptação. Sei que na minha lista eu havia planejado outros livros, mas eu estava com vontade de ler algo mais leve e lembrei de "O diabo veste Prada", afinal como esquecer Meryl Streep?

E ao ler a obra original me deparei com um caso raríssimo em que o filme é melhor do que o livro. Fator Meryl Streep à parte (mas que, claro, contribui muito), o maior problema para mim está na narradora/personagem principal. É uma das protagonistas mais chatas que já vi, chata e imatura. A moça é tão sem noção que tive até simpatia pela Miranda Priestly, deve ser terrível você ter uma assistente que detesta o próprio trabalho e o local onde trabalha e o produto gerado pelo próprio trabalho.

A Andrea é tão antipática que ela só consegue fazer uma amizade na tal revista Runaway. Uma. E é por escolha, porque ela passa o livro inteiro menosprezando ou julgando todos os seus colegas de trabalho e depois não entende porque ninguém quis manter contato. Digamos que ela não é um bom exemplo de networking.

É o tipo de livro em que você passa a leitura inteira tendo uma aula sobre o que evitar na vida e como não se comportar nessas situações. Nem o relacionamento amoroso se safa. O namorado da Andrea é outro chato, metido a superior, que acha que está sempre certo e fica querendo dar lição nos outros. Acho que na verdade nenhum personagem nessa história se safa. São todos chatos.

Se a qualidade da escrita fosse memorável talvez o livro como um todo fosse interessante. Mas não é o caso.

E eu ainda descobri que o livro tem uma continuação, o que eu nem imaginava. E, não, não pretendo nem chegar perto para ler.

Nota 3.