Pesquisar este blog

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Feminist Fight Club: An Office Survival Manual for a Sexist Workplace

   There is no right way to read this book. Read it front front to back, open it in the middle, or treat it like a cookbook: flip to the sections you like best, put comments and notes where you want, copy them out and slide them underneath your boss's door.
   The goal of this book is to provide you with battle tactics: simple, easy to follow, effective tricks for combatting sexist, subtle sexist, overtly sexist, and sometimes just oblivious behaviors that exist in even our most progressive offices.
    Much of what you'll read here is inspired by my own experiences, sources, and friends. But it is also backed up by data: vetted, published, peer-reviewed research you can find documented at the end. The tone of this book may be light, but tis basis is not-and not a premise or fight move exists without statistical evidence to back it up.

SPOILER FREE

Esse foi um livro perfeito para as minha leituras antes de dormir, capítulos curtos e divertidos, sem linha narrativa que tirasse o meu sono. E de quebra, cheio de ideias interessantes para colocar em prática em casos de sexismo no local de trabalho (quem nunca?).

A melhor parte do livro, entretanto, é a parte de dados estatísticos (como não achar isso sendo estatística?), visto que nem sempre as ideias são muito aplicáveis quando você é a única mulher numa reunião, por exemplo. Ou quando algumas sugestões não fazem muito sentido fora da cultura estado-unidense. Mas estatísticas são sempre úteis, e estatísticas de um país que a maioria no ambiente corporativo julgam como "o máximo", "perfeito" ou "muito melhor que o Brasil" são ainda melhores, porque se lá a coisa é feia, imagine aqui.

Agora, o livro é dividido em temas, uma parte dedicada apenas a estereótipos masculinos sexistas (entre os objetivamente sexistas e os que "não percebem" que o são), outra apenas a estereótipos femininos (no sentido de você perceber que as coisas não são bem assim e como fugir deles), tudo com muito bom humor e sempre incentivando o sentimento de sororidade. Tudo muito lindo e muito divertido, mas um tanto quanto repetitivo, visto que segue uma formuleta: primeiro uma descrição engraçada, depois uma lista de sugestões de como tratar o problema, de vez em quando tem uma ilustração legal no meio.

E no final do livro tem uma lista que eu curti particularmente. Uma lista de movimentos e grupos feministas ao longo da história (mas basicamente a partir do século XIX), cheio de ideias e atitudes sensacionais. É uma grande lista de realizações de mulheres poderosas e cheias de atitude! Dá gosto de ler.

A notícia ruim é que ainda não foi traduzido para o português, a notícia boa é que é possível encontrar na Amazon e na Livraria Cultura em forma de livro digital.

Precisamos de mais livros e grupos e atitudes assim.

Nota 9,5

terça-feira, 13 de junho de 2017

The Story of the Lost Child - A história da menina perdida

From October 1976 until 1979, when I returned to Naples to live, I avoided resuming a steady relationship with Lila. But it wasn't easy. She almost immediately tried to reenter my life by force, and I ignored her, tolerated her, endured her. Even if she acted as if there were nothing she wanted more than to be close to me at a difficult moment, I couldn't forget the contempt with which she had treated me.

SPOILER FREE

E esse é o último volume da quadrilogia napolitana da autora italiana Elena Ferrante. Em português o livro foi lançado com o título "A história da menina perdida", mas como comentei anteriormente, eu li essa série num Kindle emprestado, e a dona do Kindle só tinha o último volume em inglês (não sei por qual razão misteriosa), então, li o bendito em inglês mesmo.

Como nos livros anteriores, Elena Ferrante dá uma aula de narrativa, sensibilidade e realismo, com uma qualidade literária simplesmente notável. A princípio a mudança no idioma me "soou" estranha, e o uso de algumas expressões direto do italiano por falta de uma opção razoável em inglês, o que não ocorre nas traduções brasileiras, ficou engraçado até me acostumar.

Fora a questão idiomática, os dramas que surgem nesse volume são excelentes, não só para ilustrar todas as questões femininas que já estavam sendo tratadas e desenvolvidas ao longo da narrativa até esse momento, mas como fechamento dessa história. É uma história completa, tem amor, ódio, tristeza, felicidade, traição... é uma grande colcha de retalhos de sentimentos, num retrato bastante realista da vida. Não é à toa que acham que a obra é autobiográfica.

Nesse último livro da quadrilogia, Elena traz a fase madura de sua vida e de sua amizade com Lila, quando as duas já possuem vidas e carreiras estabelecidas, o que não as torna imunes a tragédias. E quando a(s) tragédia(s) acontece(m) toda a questão passa ser como se reage a ela(s) e se ela(s) é (são) superáveis pela personagem.

Elena Ferrante produziu uma obra de peso. Depois dessa quadrilogia estou curiosa com outros livros já publicados pela autora.

Nota 10.

História de Quem Foge e de Quem Fica


Encontrei Lila pela última vez cinco anos trás, no inverno de 2005. Estávamos passeando de manhã cedo pelo estradão e, como há anos vinha acontecendo, não conseguíamos nos sentir à vontade. Lembro que apenas eu falava; ela cantarolava, cumprimentava gente que nem respondia, e nas raras vezes que me interrompia só pronunciava frases exclamativas, sem um nexo evidente com o que eu dizia. Ao longo dos anos, muita coisa ruim tinha ocorrido, algumas horríveis, e para retomar a via da intimidade teríamos de nos fazer confidências secretas, mas eu não tinha a força para encontrar as palavras, e ela - a quem talvez não faltasse força - não tinha a vontade, nem via utilidade nisso.

SPOILER FREE

Terceiro livro da quadrilogia napolitana de Elena Ferrante, a "História de quem foge e de quem fica" traz a vida de Lenú e Lila já na fase adulta, onde os dramas adolescentes dão lugar a problemas maiores, como o matrimônio, a maternidade, o mercado de trabalho e os dramas políticos da época.

Eu confesso que tenho uma certa dificuldade de lembrar exatamente onde cada livro começa e termina, pois a linha histórica e a estrutura narrativa são muito consistentes. Parte dessa sensação pode ser por conta do fato de eu ter lido os livros um em seguida do outro, mas prefiro colocar na conta da qualidade e consistência do trabalho da autora. E eu sinceramente me sinto feliz de ter lido os livros assim, não sei se conseguiria esperar entre um lançamento e outro, nem se conseguiria aproveitar tão bem a leitura sem ter diversos detalhes ainda frescos na memória. E a memória é importante numa narrativa que se presta a narrar mais de meio século de vivências.

Uma discussão que tenho visto com frequência é o questionamento de quanto do livro é autobiográfico ou não, o que é compreensível, pois o realismo no texto é realmente impressionante. Mas, sinceramente, isso não me interessa, pois não é relevante diante da qualidade literária de Ferrante e dos temas que ela trata. E apesar dessa teoria ser enormemente alimentada pelo fato da escritora publicar sob pseudônimo, fico me perguntando o porquê desse tipo de questionamento. Só porque é muito realista a autora não teria capacidade de ter escrito de forma ficcional? Acho isso intrigante.

De toda forma, esse é o volume mais voltado para a narradora, e, portanto, o que mais parece autobiográfico, e o que traz de forma mais intensa os sentimentos e questionamentos internos de uma escritora que pensa sobre o feminismo nas décadas de 60, 70 e 80. Só isso já é razão suficiente para ler o livro.

Nota 10.

A Maze Me: Poems for Girls



Big Head, Big Face(what my big brother said to me)

If your head had been smaller
maybe you woulda had less thoughts in it,
maybe you wouldn't have so many troubles.
This is just a guess but seems to me
like a little drawer only hold a few spoons
and you can always find the one you need
while a big drawer jammed with tongs
strings corks junky stuff receipts birthday cards
you never gonna look at
scrambled and mixed so one day
 you
open that drawer
poke your hand in big knife go
 through your palm
you didn't even know a knife was IN there,
well, that's why I think
it might not be so bad to have a little head
with just a few thoughts few memories few
 hopes
maybe if only one little one came true
that be enough for you.

Poetisa norte americana descendente de palestinos, Naomi escreve poesias desde criança e tem uma longa carreira cheia de prêmios, especialmente voltados para literatura infantojuvenil. Logo, fiquei curiosa com o seu trabalho e consegui uma de suas obras para Kindle.

"A Maze Me" é um dos seus livros de poesia voltados para o público jovem, especialmente feminino, e nele encontrei diversos textos que me agradaram muito. Porém, o público alvo é um tanto óbvio em diversos deles e confesso que isso deixou a leitura meio repetitiva para mim. Mas tenho certeza que faz o sucesso pretendido e se minhas sobrinhas soubessem inglês eu já teria comprado exemplares.

Então, apesar disso, gostei muito do trabalho da Naomi e pretendo ler mais obras suas, tanto suas poesias quanto outros estilos literários. E com sua ascendência árabe ainda quero ler algo dela que mostre sua vertente oriental.

Nota 8.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

História do novo sobrenome


Na primavera de 1966, em um estado de grande agitação, Lila me confiou uma caixa de metal que continha oito cadernos. Disse que não podia mais guardá-los em casa, temia que o marido pudesse lê-los. Levei a caixa comigo sem fazer comentários, afora uma menção irônica ao excesso de barbante com que o atara. Naquela fase, nossas relações estavam péssimas, mas perecia que essa impressão era apenas minha. Ela, nas raras vezes em que nos víamos, não manifestava nenhum embaraço, era afetuosa, jamais deixava escapar uma palavra hostil.

SPOILER FREE

Na continuação de "A amiga genial", Elena Ferrante nos traz a juventude das duas amigas, Lenú e Lila. Nessa época Lila está casada e Lenú está avançando nos seus estudos rumo à faculdade, a primeira do bairro a chegar nesse ponto de sua educação.

A partir dessas duas perspectivas absolutamente distintas, a relação entre as amigas ganha novos contornos, ficando mais complexa. E novos acontecimentos envolvendo relações com rapazes trazem um colorido diferente para a história, diferenciado-se do primeiro livro.

Se o primeiro livro é um tanto lento por tratar de dramas e acontecimentos infantis, aqui a questão da sexualidade surge com ímpeto e, novamente, uma franqueza arrebatadora. Todo o questionamento do que é aceitável, ou não, do que é conversado abertamente ou não, de como é um relacionamento conjugal comum naquela época, a violência contra a mulher, e até mesmo a questão do prazer da mulher nos relacionamentos conjugais ou não, tudo isso é tratado de forma direta ou indireta na narrativa de Ferrante. E nesse ponto a escolha da autora por uma narradora mais velha que relembra o passado dá a ela toda uma possibilidade de análise e de destrinchar sentimentos que torna o tema ainda mais rico.

A história, que no fundo é muito triste e deprimente, ganha toda uma vivacidade e cores incríveis que tornam a leitura extremamente prazerosa. Digo isso de forma literária, pois o livro tem diversas passagens de violência bastante fortes. (fiquem avisados)

Virei fã da Elena Ferrante. Seu trabalho sensível é leitura obrigatória para ilustrar as questões femininas no século XX.

Nota 10.

A amiga genial


Hoje de manhã Rino me ligou, pensei que ele quisesse mais dinheiro e me preparei para negar. No entanto o motivo da chamada era outro: a mãe dele tinha desaparecido.
"Desde quando?"
"Faz duas semanas."
"E só agora você me liga?"
O tom deve ter parecido hostil, embora eu não estivesse chateada ou indignada, era apenas uma ponta de sarcasmo. Ele tentou contestar, mas de modo confuso, embaraçado, misturando o dialeto com o italiano. Disse que tinha certeza de que a mãe estava passeando em Nápoles, como de costume.

SPOILER FREE

Ler esse livro foi uma experiência interessante por diversos motivos. O primeiro e melhor deles é que o livro é muito bom e extremamente bem escrito, que é o melhor motivo para se ler um livro. Um segundo motivo é por ser literatura italiana e feminina, que nem sempre encontramos fora do círculo dos autores homens intelectuais mais comumente disponíveis fora da Itália. O terceiro motivo é que achei sensacional o fato de ninguém saber com certeza quem é a autora, visto que ela escreve com pseudônimo. E por fim, li o livro num Kindle emprestado, o que foi uma experiência muito interessante.

A história se desenrola na verdade ao longo de quatro livros, e "A amiga genial" é apenas o primeiro deles. A ideia é apresentar do ponto de vista de Elena Greco (só não tem o mesmo sobrenome da autora), uma senhora já de idade, escritora, a história de sua amizade com Lila (chamada assim só por ela, os demais a chamam de Lina). É uma história absolutamente feminina, que trata de questões femininas, relacionamentos femininos e mudanças sociais relacionadas especialmente à mulher, num espaço temporal que vai desde os anos 50 até o século XXI.

Nesse primeiro livro, a história cobre a infância e adolescência das duas amigas, com diversas questões sociais e financeiras interessantes e o que se esperava das mulheres naquela época. E como uma decisão bastante arbitrária distanciou para sempre o destino das duas meninas.

Nesse sentido, uma das coisas que mais me encantaram na narrativa de Elena Ferrante é a absoluta "franqueza", num retrato extremamente humano, no sentido de abarcar sentimentos conflitantes e nem sempre nobres. Um verdadeiro exercício de literatura de qualidade.

E a história é interessante, com diversas reviravoltas e personagens cativantes. Não é só literatura por literatura. Fascinante!

Fiquei tão animada que confesso que já li todos os quatro livros. Aguardem as resenhas! (pra variar estou atrasada...). Só vou adiantar que o primeiro é o mais lento de todos os livros, se esse já o bom, os seguintes são ainda melhores!

Nota 9.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Fortunately the milk - Felizmente o Leite


    There was only orange juice in the fridge. Nothing else that you could put on cereal, unless you think that ketchup oy mayonneise or picle juice would be nice on your Toastios, which I do not, and neither did my little sister, although she has eaten come pretty weird things in her day, like mushrooms in chocolate.
    "No milk," said my sister.
    "Nope," I said, looking behind the jam in the fridge, just in case. "None at all."

SPOILER FREE

Esse é um dos últimos livros infanto-juvenil do Neil Gaiman, aquele autor britânico que faz tanto sucesso que as pessoas acham que é americano, e cujo excelente livro "American Gods" acabou de virar série de TV.

Neil Gaiman é um autor versátil, escreve para todas as faixas etárias, e passeia por diversos estilos (quadrinhos, contos, romances, palestras), e consegue ir bem em todos eles. Coisa rara e que precisa ser mencionada.

Em "Felizmente o Leite" ele nos apresenta um pai que ficou incumbido de cuidar dos filhos durante uma viagem da mãe, e, claro, ele deixou o leite acabar e agora as crianças querem que ele compre mais para poderem tomar café da manhã. Quando ele retorna, ele tem uma história fantástica para contar aos filhos e justificar o quanto ele demorou fora de casa.

Digamos que essa é a versão Gaiman de uma história de pescador, daquelas cheias de monstros espaciais, piratas, dinossauros e até viagem no tempo, e eu juro que consigo visualizar o Neil contando essa história para os próprios filhos. E para completar, o livro é belissimamente ilustrado.


Não é tão incrível nem tão marcante quanto outras obras do autor, como "Coraline" ou "Graveyard Book", mas é gostoso demais de ler. O tipo de livro que te deixa sorrindo no final.

Ah, e a identidade do estegossauro que está na capa do livro simplesmente me arrebatou. Muito representativo e relevante nos dias de hoje. Neil Gaiman é um dos melhores autores contemporâneos, simples assim. Espero acompanhar suas obras por muitas décadas ainda.

Nota 10.