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sábado, 19 de agosto de 2017

The Tiny Book of Tiny Stories, Vol. 3



SPOILER FREE

Preguiça é uma coisa muito feia, mas às vezes irresistível (e alguns argumentam que move as inovações tecnológicas), então, vou dar uma copiada bonita em algumas passagens que escrevi para a resenha do "The Tiny Book of Tiny Stories, Vol. 2", até porque a diferença entre o vol.2 e o vol.3 é apenas o conteúdo em si, a alma do livro e o nível de qualidade é simplesmente o mesmo.

Esse é um livro que me foi sugerido por um site meio filosófico, que nem sempre tenho tempo de ler, infelizmente, chamado Brain Pickings. E apesar do nome do autor dizer um ator famoso, mas lá com os seus problemas artísticos, o livro na verdade é de um coletivo de artistas, esse sim "organizado" pelo tal ator.

E apesar da capa com jeito de livro infantil, o conteúdo é puramente artístico, composto de imagens com uma ou duas frases agregadas que trazem reflexões, contam histórias ou só são bonitas de ver.
É o tipo de livro leve, rápido e sensível que pode ser apreciado por qualquer pessoa de qualquer idade.

A versão eletrônica é melhor apreciada em tablet (ou pelo menos um celular com uma tela legal), e vale a pena conferir o tamanho das páginas no aplicativo para melhor observar os desenhos e as palavras, mas para quem curte um livro de papel, sugiro fortemente as versões físicas, que possuem uma capa dura lindíssima.
Acho que essa foi a resenha mais rápida e fácil que já escrevi! Ha! Mas brincadeiras e autoplágio à parte, curti mesmo o terceiro volume, tanto quanto o segundo, e novamente li no esquema "preciso de algo leve enquanto faço inalação por conta de uma sinusite chata". A parte triste é que não existe volume 4. Eu não me importaria nem um pouco de ler mais um desses.

Nota 9,5.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Adulthood is a myth - Ninguém Vira Adulto De Verdade



SPOILER FREE

Nas minhas leituras noturnas eu tenho dado preferência para livros como esse, da ilustradora e quadrinista americana Sarah Andersen, conhecida pela sua tirinha "Sarah's Scribbles". Mas esse não foi o caso! No final de junho e início de julho (para você ver como estou atrasada nas resenhas) eu peguei uma sinusite terrível, e precisei ficar 20 minutos duas vezes por dia fazendo inalação, e como isso é muito chato, eu acabava usando o tempo para ler. E por estar doente, dei preferência por leituras leves.

Sarah é uma personalidade bastante conhecida na internet, suas tirinhas tem fama de memes com alguma frequência e vivem aparecendo na minha timeline no Facebook, e olha que eu ainda não curtia a sua página (passei a fazer isso hoje ao pesquisar o link para o blog!). Então, não sei o quão útil é apresentar a autora e o seu trabalho. Ela é tão conhecida que o livro já saiu até aqui, com o título "Ninguém vira adulto de verdade" (não sei o quão aceitável ficou a tradução, li no original).

Para a galera que curte não gastar dinheiro, é bem provável que você encontre todo o conteúdo do livro na internet, mas não vai estar tudo juntinho, bonitinho e arrumadinho como no livro. Além de que autores da era digital também precisam de apoio financeiro, ninguém vive de curtida no facebook (quer dizer, poucos realmente conseguem essas coisas e mesmo assim não paga exatamente bem).

E para quem nunca ouviu falar (o que espero que seja raríssimo) segue uma página do livro para ter uma ideia da "pegada" da autora!



Como eu sou fã do seu trabalho, adoro o humor da Sarah, nota 10!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sleeping giants - Gigantes adormecidos

It was my eleventh birthday. I'd gotten a new bike from my father: white and pink, with tassels on the handles. I really wanted to ride it, but my parents didn't want me to leave while my friends were there. They weren't really my friends though. I was never really good at making friends. I liked reading; I liked walking in the woods; I liked being alone. And I always felt a little out of place with kids my age. So when birthdays came by, my parents usually invited the neighbor's kids over. There were a lot of them, some whose names I barely knew. They were all very nice, and they all brought gifts. So I stayed. I blew out the candles. I opened the presents. I smiled a lot. I can't remember most hte gifts because all I could think of was getting out and trying that bicycle. It was about dinnertime by the time everyone left and I couldn't wait another minute. It would soon be dark; once ir was, my father wouldn't let me leave the house until morning.


SPOILER FREE

Esse foi um livro que escolhi para ler para o tema "uma história que se passa no futuro", e que eu comprei numa promoção da Amazon porque achei a premissa interessante, porque estava muito bem indicado pela internet, e, por fim, porque achei que o autor era mulher.

Primeiro, Sylvain não é mulher, apesar dos melhores personagens do livro serem femininas (o que já valeu a pena), segundo, o livro é de ficção científica, mas não é clara a época em que se passa a história (mas vou ignorar porque no desafio dizia que podia linhas temporais alternativas, o que certamente compreende esse enredo), terceiro, apesar disso tudo valeu muito ter comprado e lido o livro.

O livro é muito original, não só em termos de enredo e de personagens (amei todos eles, mas especialmente as personagens femininas, que são maravilhosas), mas também em formato. O livro é todo escrito em forma de arquivo, como se você tivesse acompanhando os registros de um caso do governo, com direito a diários de bordo e entrevistas (tem mais entrevistas do que qualquer outra modalidade, mas isso também é original). Por conta dessa característica, confesso que estou doida para ver uma adaptação para cinema ou televisão, ficaria lindo.

O único defeito do livro é que ele tem uma continuação, e o final desse volume é um senhor gancho que torna difícil o leitor se controlar e não comprar logo o volume seguinte (estou exercitando fortemente o meu autocontrole desde então).

Em linhas gerais, o livro tem uma série de entrevistas conduzidas por um personagem que ninguém sabe quem é (ele parece um desses agentes de agências que formalmente não existem), que conversa com diversas pessoas envolvidas num projeto gigantesco envolvendo uma espécie de robô gigante que se supõe que foi criado por extraterrestres quando o ser humano ainda vivia na idade da pedra. Por motivos óbvios, o livro tem uma pegada um tanto de anime japonês. O que, para mim, é positivo.

"Sleeping Giants", lançado ano passado por aqui com o título "Gigantes Adormecidos", é um dos livros de ficção científica mais interessantes que li, e espero que a continuação entre logo em promoção, porque quero saber como a história continua!

Nota 10, acho que a primeira para esse estilo que eu dou!


domingo, 13 de agosto de 2017

Trigger warning - alerta de risco


 Making a chair

Today I intended to begin to write.
Stories are waiting like distant thunderstorms
grumbling and flickering on the gray horizon
and there are emails and introductions
and a book, a whole damn book
about a country and a journey and belief
I'm here to write.

I made a chair.
I opened a cardboard box with a blade
(I assembled the blade)
removed the parts, carried them, carefully, up the stairs.

"Functional seating for today's workplace"
I pressed five casters into the base,
learned that they press in with a most satisfying pop.
Attached the armrests with the screws,
puzzling over the left and the right of it,
the screws not being what they should be
as described in the instructions. And then the base
beneath the seat,
which attached with six 40mm screws (that were
puzzlingly six 45mm screws).

The the headpiece to the chairback,
the cairback to the seat, which is where the problems start
as the middle screw on either side declines
to penetrate and thread.

This all takes time. Orson Welles is Harry Lime
on the old radio as I assemble my chair. Orson meets a dame
and a crooked fortune-teller, and a fat man,
and a New York gang boss in exile,
and has slept with the dame, solved the mystery,
read the script
and pocketed the money
before I have assembled my chair.

SPOILER FREE

Nunca imaginei que eu fosse ficar tão atrasada com minhas resenhas, ainda mais quando o próximo livro na lista fosse do Neil Gaiman.

Como comentei em outros posts, adquiri como novo hábito ler no celular antes de dormir, o que significa que agora eu tenho lido pelo menos 2 livros ao mesmo tempo, um no kindle e outro no celular. E no celular eu tenho dado preferência por livros que não tirem o meu sono, em outras palavras, livros de contos são ótimos para isso e os meus agora tem voado da estante virtual.

"Trigger warning", ou "Alerta de risco" em sua tradução para o português, é um livro de contos do autor inglês Neil Gaiman, famoso por aqui no blog por eu ser uma grande fã. Gaiman é um autor que eu gosto especialmente pelo seu lado sombrio, inclusive quando escreve histórias supostamente infantis. Outros livros de contos que já li dele você pode encontrar aqui e aqui.

Como todo livro de contos, é claro que tem os seus altos e baixos, mas sendo Neil Gaiman os baixos são mais para altos. Além disso, nem tudo são exatamente contos, alguns são novelas (um termo usado pelos americanos para um conto muito grande ou um romance curto), outros são poemas, como o que está ilustrando essa resenha. E para os fãs de carteirinha, esse livro inclui o texto original de "The Sleeper and The Spindle" e um conto com o personagem principal de "American Gods" (que agora virou uma excelente série de TV) Shadow Moon, que é o ponto alto desse volume, na minha opinião.

De forma geral, é um dos livros de contos do Gaiman mais eclético que já li, o que o torna uma excelente opção para quem quer conhecer o autor. Com exceção do último conto, do Shadow Moon, que se aprecia melhor já tendo lido American Gods (ter visto a série não conta, ainda, quem sabe depois da segunda temporada).

Nota 9.

domingo, 23 de julho de 2017

Lost in Translation



SPOILER FREE

Eis um livro muito fofo que eu confesso que usei para ler antes de dormir simplesmente porque  sabia que não me tiraria o sono. Composto de imagens misturadas com traduções de palavras de diversas línguas, "Lost in translation" é uma delícia para ser apreciada. (não confundir com o filme!)

Ilustrado pela Ella France Sanders, de quem eu não consegui descobrir nada pela internet além do fato de ser ilustradora e ter vivido em diversos lugares, o livro tem momentos realmente sensacionais. O ser humano é realmente incrível, e nossa criatividade para inventar palavras é impressionante.
O livro se resume em definir diversas palavras "estranhas" que, a princípio, só existem no seu idioma de origem, precisando de toda uma explicação em outras línguas, o que nos faz pensar sobre a cultura que cunhou a tal palavra. O único problema é que eu pessoalmente não curti muito as traduções das palavras de origem portuguesa do livro, não que estejam erradas, mas não são lá muito exatas. Mas imagino que seja esse o maior problema de toda e qualquer tradução, não é mesmo? Ainda mais de casos como os propostos pela autora/ilustradora.

Um livro gostoso de ler e ótima sugestão de leitura para qualquer momento.

Nota 9.




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Feminist Fight Club: An Office Survival Manual for a Sexist Workplace

   There is no right way to read this book. Read it front front to back, open it in the middle, or treat it like a cookbook: flip to the sections you like best, put comments and notes where you want, copy them out and slide them underneath your boss's door.
   The goal of this book is to provide you with battle tactics: simple, easy to follow, effective tricks for combatting sexist, subtle sexist, overtly sexist, and sometimes just oblivious behaviors that exist in even our most progressive offices.
    Much of what you'll read here is inspired by my own experiences, sources, and friends. But it is also backed up by data: vetted, published, peer-reviewed research you can find documented at the end. The tone of this book may be light, but tis basis is not-and not a premise or fight move exists without statistical evidence to back it up.

SPOILER FREE

Esse foi um livro perfeito para as minha leituras antes de dormir, capítulos curtos e divertidos, sem linha narrativa que tirasse o meu sono. E de quebra, cheio de ideias interessantes para colocar em prática em casos de sexismo no local de trabalho (quem nunca?).

A melhor parte do livro, entretanto, é a parte de dados estatísticos (como não achar isso sendo estatística?), visto que nem sempre as ideias são muito aplicáveis quando você é a única mulher numa reunião, por exemplo. Ou quando algumas sugestões não fazem muito sentido fora da cultura estado-unidense. Mas estatísticas são sempre úteis, e estatísticas de um país que a maioria no ambiente corporativo julgam como "o máximo", "perfeito" ou "muito melhor que o Brasil" são ainda melhores, porque se lá a coisa é feia, imagine aqui.

Agora, o livro é dividido em temas, uma parte dedicada apenas a estereótipos masculinos sexistas (entre os objetivamente sexistas e os que "não percebem" que o são), outra apenas a estereótipos femininos (no sentido de você perceber que as coisas não são bem assim e como fugir deles), tudo com muito bom humor e sempre incentivando o sentimento de sororidade. Tudo muito lindo e muito divertido, mas um tanto quanto repetitivo, visto que segue uma formuleta: primeiro uma descrição engraçada, depois uma lista de sugestões de como tratar o problema, de vez em quando tem uma ilustração legal no meio.

E no final do livro tem uma lista que eu curti particularmente. Uma lista de movimentos e grupos feministas ao longo da história (mas basicamente a partir do século XIX), cheio de ideias e atitudes sensacionais. É uma grande lista de realizações de mulheres poderosas e cheias de atitude! Dá gosto de ler.

A notícia ruim é que ainda não foi traduzido para o português, a notícia boa é que é possível encontrar na Amazon e na Livraria Cultura em forma de livro digital.

Precisamos de mais livros e grupos e atitudes assim.

Nota 9,5

terça-feira, 13 de junho de 2017

The Story of the Lost Child - A história da menina perdida

From October 1976 until 1979, when I returned to Naples to live, I avoided resuming a steady relationship with Lila. But it wasn't easy. She almost immediately tried to reenter my life by force, and I ignored her, tolerated her, endured her. Even if she acted as if there were nothing she wanted more than to be close to me at a difficult moment, I couldn't forget the contempt with which she had treated me.

SPOILER FREE

E esse é o último volume da quadrilogia napolitana da autora italiana Elena Ferrante. Em português o livro foi lançado com o título "A história da menina perdida", mas como comentei anteriormente, eu li essa série num Kindle emprestado, e a dona do Kindle só tinha o último volume em inglês (não sei por qual razão misteriosa), então, li o bendito em inglês mesmo.

Como nos livros anteriores, Elena Ferrante dá uma aula de narrativa, sensibilidade e realismo, com uma qualidade literária simplesmente notável. A princípio a mudança no idioma me "soou" estranha, e o uso de algumas expressões direto do italiano por falta de uma opção razoável em inglês, o que não ocorre nas traduções brasileiras, ficou engraçado até me acostumar.

Fora a questão idiomática, os dramas que surgem nesse volume são excelentes, não só para ilustrar todas as questões femininas que já estavam sendo tratadas e desenvolvidas ao longo da narrativa até esse momento, mas como fechamento dessa história. É uma história completa, tem amor, ódio, tristeza, felicidade, traição... é uma grande colcha de retalhos de sentimentos, num retrato bastante realista da vida. Não é à toa que acham que a obra é autobiográfica.

Nesse último livro da quadrilogia, Elena traz a fase madura de sua vida e de sua amizade com Lila, quando as duas já possuem vidas e carreiras estabelecidas, o que não as torna imunes a tragédias. E quando a(s) tragédia(s) acontece(m) toda a questão passa ser como se reage a ela(s) e se ela(s) é (são) superáveis pela personagem.

Elena Ferrante produziu uma obra de peso. Depois dessa quadrilogia estou curiosa com outros livros já publicados pela autora.

Nota 10.

História de Quem Foge e de Quem Fica


Encontrei Lila pela última vez cinco anos trás, no inverno de 2005. Estávamos passeando de manhã cedo pelo estradão e, como há anos vinha acontecendo, não conseguíamos nos sentir à vontade. Lembro que apenas eu falava; ela cantarolava, cumprimentava gente que nem respondia, e nas raras vezes que me interrompia só pronunciava frases exclamativas, sem um nexo evidente com o que eu dizia. Ao longo dos anos, muita coisa ruim tinha ocorrido, algumas horríveis, e para retomar a via da intimidade teríamos de nos fazer confidências secretas, mas eu não tinha a força para encontrar as palavras, e ela - a quem talvez não faltasse força - não tinha a vontade, nem via utilidade nisso.

SPOILER FREE

Terceiro livro da quadrilogia napolitana de Elena Ferrante, a "História de quem foge e de quem fica" traz a vida de Lenú e Lila já na fase adulta, onde os dramas adolescentes dão lugar a problemas maiores, como o matrimônio, a maternidade, o mercado de trabalho e os dramas políticos da época.

Eu confesso que tenho uma certa dificuldade de lembrar exatamente onde cada livro começa e termina, pois a linha histórica e a estrutura narrativa são muito consistentes. Parte dessa sensação pode ser por conta do fato de eu ter lido os livros um em seguida do outro, mas prefiro colocar na conta da qualidade e consistência do trabalho da autora. E eu sinceramente me sinto feliz de ter lido os livros assim, não sei se conseguiria esperar entre um lançamento e outro, nem se conseguiria aproveitar tão bem a leitura sem ter diversos detalhes ainda frescos na memória. E a memória é importante numa narrativa que se presta a narrar mais de meio século de vivências.

Uma discussão que tenho visto com frequência é o questionamento de quanto do livro é autobiográfico ou não, o que é compreensível, pois o realismo no texto é realmente impressionante. Mas, sinceramente, isso não me interessa, pois não é relevante diante da qualidade literária de Ferrante e dos temas que ela trata. E apesar dessa teoria ser enormemente alimentada pelo fato da escritora publicar sob pseudônimo, fico me perguntando o porquê desse tipo de questionamento. Só porque é muito realista a autora não teria capacidade de ter escrito de forma ficcional? Acho isso intrigante.

De toda forma, esse é o volume mais voltado para a narradora, e, portanto, o que mais parece autobiográfico, e o que traz de forma mais intensa os sentimentos e questionamentos internos de uma escritora que pensa sobre o feminismo nas décadas de 60, 70 e 80. Só isso já é razão suficiente para ler o livro.

Nota 10.

A Maze Me: Poems for Girls



Big Head, Big Face(what my big brother said to me)

If your head had been smaller
maybe you woulda had less thoughts in it,
maybe you wouldn't have so many troubles.
This is just a guess but seems to me
like a little drawer only hold a few spoons
and you can always find the one you need
while a big drawer jammed with tongs
strings corks junky stuff receipts birthday cards
you never gonna look at
scrambled and mixed so one day
 you
open that drawer
poke your hand in big knife go
 through your palm
you didn't even know a knife was IN there,
well, that's why I think
it might not be so bad to have a little head
with just a few thoughts few memories few
 hopes
maybe if only one little one came true
that be enough for you.

Poetisa norte americana descendente de palestinos, Naomi escreve poesias desde criança e tem uma longa carreira cheia de prêmios, especialmente voltados para literatura infantojuvenil. Logo, fiquei curiosa com o seu trabalho e consegui uma de suas obras para Kindle.

"A Maze Me" é um dos seus livros de poesia voltados para o público jovem, especialmente feminino, e nele encontrei diversos textos que me agradaram muito. Porém, o público alvo é um tanto óbvio em diversos deles e confesso que isso deixou a leitura meio repetitiva para mim. Mas tenho certeza que faz o sucesso pretendido e se minhas sobrinhas soubessem inglês eu já teria comprado exemplares.

Então, apesar disso, gostei muito do trabalho da Naomi e pretendo ler mais obras suas, tanto suas poesias quanto outros estilos literários. E com sua ascendência árabe ainda quero ler algo dela que mostre sua vertente oriental.

Nota 8.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

História do novo sobrenome


Na primavera de 1966, em um estado de grande agitação, Lila me confiou uma caixa de metal que continha oito cadernos. Disse que não podia mais guardá-los em casa, temia que o marido pudesse lê-los. Levei a caixa comigo sem fazer comentários, afora uma menção irônica ao excesso de barbante com que o atara. Naquela fase, nossas relações estavam péssimas, mas perecia que essa impressão era apenas minha. Ela, nas raras vezes em que nos víamos, não manifestava nenhum embaraço, era afetuosa, jamais deixava escapar uma palavra hostil.

SPOILER FREE

Na continuação de "A amiga genial", Elena Ferrante nos traz a juventude das duas amigas, Lenú e Lila. Nessa época Lila está casada e Lenú está avançando nos seus estudos rumo à faculdade, a primeira do bairro a chegar nesse ponto de sua educação.

A partir dessas duas perspectivas absolutamente distintas, a relação entre as amigas ganha novos contornos, ficando mais complexa. E novos acontecimentos envolvendo relações com rapazes trazem um colorido diferente para a história, diferenciado-se do primeiro livro.

Se o primeiro livro é um tanto lento por tratar de dramas e acontecimentos infantis, aqui a questão da sexualidade surge com ímpeto e, novamente, uma franqueza arrebatadora. Todo o questionamento do que é aceitável, ou não, do que é conversado abertamente ou não, de como é um relacionamento conjugal comum naquela época, a violência contra a mulher, e até mesmo a questão do prazer da mulher nos relacionamentos conjugais ou não, tudo isso é tratado de forma direta ou indireta na narrativa de Ferrante. E nesse ponto a escolha da autora por uma narradora mais velha que relembra o passado dá a ela toda uma possibilidade de análise e de destrinchar sentimentos que torna o tema ainda mais rico.

A história, que no fundo é muito triste e deprimente, ganha toda uma vivacidade e cores incríveis que tornam a leitura extremamente prazerosa. Digo isso de forma literária, pois o livro tem diversas passagens de violência bastante fortes. (fiquem avisados)

Virei fã da Elena Ferrante. Seu trabalho sensível é leitura obrigatória para ilustrar as questões femininas no século XX.

Nota 10.

A amiga genial


Hoje de manhã Rino me ligou, pensei que ele quisesse mais dinheiro e me preparei para negar. No entanto o motivo da chamada era outro: a mãe dele tinha desaparecido.
"Desde quando?"
"Faz duas semanas."
"E só agora você me liga?"
O tom deve ter parecido hostil, embora eu não estivesse chateada ou indignada, era apenas uma ponta de sarcasmo. Ele tentou contestar, mas de modo confuso, embaraçado, misturando o dialeto com o italiano. Disse que tinha certeza de que a mãe estava passeando em Nápoles, como de costume.

SPOILER FREE

Ler esse livro foi uma experiência interessante por diversos motivos. O primeiro e melhor deles é que o livro é muito bom e extremamente bem escrito, que é o melhor motivo para se ler um livro. Um segundo motivo é por ser literatura italiana e feminina, que nem sempre encontramos fora do círculo dos autores homens intelectuais mais comumente disponíveis fora da Itália. O terceiro motivo é que achei sensacional o fato de ninguém saber com certeza quem é a autora, visto que ela escreve com pseudônimo. E por fim, li o livro num Kindle emprestado, o que foi uma experiência muito interessante.

A história se desenrola na verdade ao longo de quatro livros, e "A amiga genial" é apenas o primeiro deles. A ideia é apresentar do ponto de vista de Elena Greco (só não tem o mesmo sobrenome da autora), uma senhora já de idade, escritora, a história de sua amizade com Lila (chamada assim só por ela, os demais a chamam de Lina). É uma história absolutamente feminina, que trata de questões femininas, relacionamentos femininos e mudanças sociais relacionadas especialmente à mulher, num espaço temporal que vai desde os anos 50 até o século XXI.

Nesse primeiro livro, a história cobre a infância e adolescência das duas amigas, com diversas questões sociais e financeiras interessantes e o que se esperava das mulheres naquela época. E como uma decisão bastante arbitrária distanciou para sempre o destino das duas meninas.

Nesse sentido, uma das coisas que mais me encantaram na narrativa de Elena Ferrante é a absoluta "franqueza", num retrato extremamente humano, no sentido de abarcar sentimentos conflitantes e nem sempre nobres. Um verdadeiro exercício de literatura de qualidade.

E a história é interessante, com diversas reviravoltas e personagens cativantes. Não é só literatura por literatura. Fascinante!

Fiquei tão animada que confesso que já li todos os quatro livros. Aguardem as resenhas! (pra variar estou atrasada...). Só vou adiantar que o primeiro é o mais lento de todos os livros, se esse já o bom, os seguintes são ainda melhores!

Nota 9.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Fortunately the milk - Felizmente o Leite


    There was only orange juice in the fridge. Nothing else that you could put on cereal, unless you think that ketchup oy mayonneise or picle juice would be nice on your Toastios, which I do not, and neither did my little sister, although she has eaten come pretty weird things in her day, like mushrooms in chocolate.
    "No milk," said my sister.
    "Nope," I said, looking behind the jam in the fridge, just in case. "None at all."

SPOILER FREE

Esse é um dos últimos livros infanto-juvenil do Neil Gaiman, aquele autor britânico que faz tanto sucesso que as pessoas acham que é americano, e cujo excelente livro "American Gods" acabou de virar série de TV.

Neil Gaiman é um autor versátil, escreve para todas as faixas etárias, e passeia por diversos estilos (quadrinhos, contos, romances, palestras), e consegue ir bem em todos eles. Coisa rara e que precisa ser mencionada.

Em "Felizmente o Leite" ele nos apresenta um pai que ficou incumbido de cuidar dos filhos durante uma viagem da mãe, e, claro, ele deixou o leite acabar e agora as crianças querem que ele compre mais para poderem tomar café da manhã. Quando ele retorna, ele tem uma história fantástica para contar aos filhos e justificar o quanto ele demorou fora de casa.

Digamos que essa é a versão Gaiman de uma história de pescador, daquelas cheias de monstros espaciais, piratas, dinossauros e até viagem no tempo, e eu juro que consigo visualizar o Neil contando essa história para os próprios filhos. E para completar, o livro é belissimamente ilustrado.


Não é tão incrível nem tão marcante quanto outras obras do autor, como "Coraline" ou "Graveyard Book", mas é gostoso demais de ler. O tipo de livro que te deixa sorrindo no final.

Ah, e a identidade do estegossauro que está na capa do livro simplesmente me arrebatou. Muito representativo e relevante nos dias de hoje. Neil Gaiman é um dos melhores autores contemporâneos, simples assim. Espero acompanhar suas obras por muitas décadas ainda.

Nota 10.

Hemingway Didn't Say That: The Truth Behind Familiar Quotations







"Good artists copy; great artists steal"
- Pablo Picasso - X
Esse é um livro que comprei por pura curiosidade. Trata-se de um um livro onde o autor investiga a autoria de citações famosas (especialmente na internet) para verificar se a autoria e a citação estão corretas. Vale citar que o autor possui um site onde ele publica suas investigações também, chamado Quote Investigator.

A parte mais interessante está no início do livro, onde Garson explica não só a razão das suas investigações, mas também o que ele descobriu ao longo delas, isto é, como uma citação se altera ao longo do tempo, e como se colocam como seus autores pessoas que muitas vezes não tem nada a ver com o texto "original".

O resultado é um livro que após as análises realmente interessantes, é bastante curioso e cheio de anedotas, mas que não dá para ler por muito tempo seguido por ser um tanto quanto repetitivo. Excelente para ler naqueles intervalos curtos ao longo do dia em que você não quer pegar um romance porque sabe que vai ter que parar no meio.

Se lido em doses homeopáticas é uma excelente leitura, mais do que isso, definitivamente não é para qualquer um.

Nota 8.




A teus pés

vacilo da vocação

Precisaria trabalhar - afundar -
- como você - saudades loucas -
nesta arte - ininterrupta
de pintar -

A poesia não - telegráfica - ocasional -
me deixa sola - solta -
a mercê do impossível -
- do real.


SPOILER FREE

Mais um livro de poesia! E, nossa, esse foi difícil. O comprei porque era de uma autora mulher, brasileira e foi homenageada numa FLIP da vida.

Aí se vê que nada disso é garantia de coisa boa.

Acho que foi o livro de poesia mais chato, insosso e sem razão de existir que já li na minha vida. Na verdade eu nem classificaria boa parte dos textos nesse livro de poesia.

Ana Cristina escreve em fluxo de pensamento, e ela não é exatamente uma pessoa que segue um fluxo que faça sentido. Tudo bem, é arte, não precisa fazer exatamente um sentido nem ter um objetivo. Mas num texto um mínimo de coerência é necessário para se conseguir que o leitor sinta alguma coisa, senão não se sente nada, não se percebe nada e o que a autora diz realmente é nada.

Detestei tanto que nem sei mais o que dizer. Um horror.

Nota 2 (porque eu curti o poema que coloquei lá em cima, é o único que sobreviveu)

The Tiny Book of Tiny Stories: Volume 2



SPOILER FREE

Esse é um livro que me foi sugerido por um site meio filosófico, que nem sempre tenho tempo de ler, infelizmente, chamado Brain Pickings. E apesar do nome do autor dizer um ator famoso, mas lá com os seus problemas artísticos, o livro na verdade é de um coletivo de artistas, esse sim "organizado" pelo tal ator.

E apesar da capa com jeito de livro infantil, o conteúdo é puramente artístico, composto de imagens com uma ou duas frases agregadas que trazem reflexões, contam histórias ou só são bonitas de ver.


É o tipo de livro leve, rápido e sensível que pode ser apreciado por qualquer pessoa de qualquer idade. E foi mais interessante do que eu imaginava que seria, mais gostoso e mais leve. Em outras palavras, uma agradável surpresa. Ainda bem que sigo as recomendações desse site, realmente valem a pena. (e fica dica)

Infelizmente comecei pelo volume dois porque o volume um ainda não existe para kindle. Mas pelo menos eu já tenho o volume três para aquele momento em que eu precisar de uma injeção de ânimo e beleza.

A versão eletrônica é melhor apreciada em tablet (ou pelo menos um celular com uma tela legal), e vale a pena conferir o tamanho das páginas no aplicativo para melhor observar os desenhos e as palavras, mas para quem curte um livro de papel, sugiro fortemente as versões físicas, que possuem uma capa dura lindíssima.

Nota 9,5.

sábado, 22 de abril de 2017

Paroles

LE CANCRE

Il dit non avec la tête
mais il dit oui avec le coeur
il dit oui à ce qu'il aime
il dit non au professeur
il est debout
on le questionne
et tous les problèmes sont posés
soudain le fou rire le prend
et il efface tout
les chiffres et les mots
les dates e les noms
les phrases et les pièges
et malgré les menaces du maître
sous les huées des enfants prodiges
avec des craies de toutes les couleurs
sur le table noir du malheur
il dessine le visage du bonheur
 
SPOILER FREE

Esse é um autor que me lembra as aulas de francês na Aliança Francesa, e que aprendi a apreciar na biblioteca que tinha na Aliança que eu frequentava. Bons tempos!

Sou fanzoca do Jacques Prévert, com seu humor tão francês e sua crítica pesada à igreja e às maldades do ser humano. Gosto de boa parte do que ele escreve, o que me torna uma leitora enviesada. E gosto especialmente dos seus textos sobre as guerras, visto que ele vivenciou as duas grandes guerras do século XX.

Nas aulas de francês, inclusive nas escolas francesas, ele é muito estudado por sua poesia, mas ele também era roteirista e fazia alguns trabalhos plásticos, e foi muito importante para o cinema francês, e parte de suas poesias também foi musicada, a mais famosa é "Les feuilles mortes".

Para quem não fala francês, tem um livro dele bilíngue que eu gosto muito, chamado "Poemas", que tem uma bela seleção de 43 poemas dele. Super indico.

Para quem fala francês, Paroles é uma obra sensacional, com textos que variam muito de estilo e de temas, bem a cara de Jacques, é um dos seus livros mais importantes e representativos. Vale muito a leitura.

Nota 10!

Teus pés toco na sombra - poemas inéditos

5
Por el cielo me acerco
al rayo rojo de tu cabellera.
De tierra y trigo soy y al acercarme
tu fuego se prepara
dentro de mí y enciende
las piedras y la harina.
Por eso crece y sube
mi corazón haciéndose
pan para que tu boca lo devore,
y mi sangre es el vino que te aguarda.
Tú y yo somos la tierra con sus frutos.
Pan, fuego, sangre y vino
es el terrestre amor que nos abrasa.
 
SPOILER FREE

Um dos poetas mais influentes e importantes do século XX, Neruda! E esse foi o meu primeiro livro dele. Adianto que isso aconteceu em parte porque ando procurando ler poesias no original quando posso compreender o idioma, e o espanhol, apesar de não ser o meu forte, ainda dá pra brincar de ler. E não sei o que acontece, mas não é tão fácil encontrar Neruda nas livrarias. Será que está fora de moda?

Enfim, encontrei esse livro já não me lembro mais aonde, e apesar de ser composto apenas de poemas inéditos, descobertos, selecionados e publicados no século XXI, estava numa bela edição bilíngue (oba!) com direito a fac-símiles no final, com os cardápios, pedaços de papel, etc onde os textos foram encontrados.

Dito isso, é importante ressaltar que parte dos textos inclusive está inacabado, e alguns chegaram a ser rabiscados pelo autor, e, claro, é provável que ele nunca tenha nem pensado em publicar diversos deles, o que deixa o livro bastante inconstante e comparado ao trabalho publicado certamente deixa a desejar.

Mas Neruda é Neruda, e eu gostei demais de muita coisa que tem no livro, o que mostra o quão genial ele é. Se o que ele deixou largado em pedaços de papel é assim, imagina o que ele trabalhou em cima e publicou?

Já estou com outro livro dele na estante me aguardando (outra edição bilíngue, como é difícil de achar!), e talvez eu consiga lê-lo ainda esse ano, vamos ver. Tenho certeza que também vai valer a pena.

Nota 8,5.

Poemas da Antologia Grega ou Palatina

SAFO
VII:489

Eis as cinzas de Timas: morta pouco antes de casar-se,
          Perséfone a acolheu em seu quarto sombrio.
Assim que ela morreu, as amigas, tão jovens quanto ela,
          cortaram-se os cabelos com ferro afiado.
 
SPOILER FREE

Então, continuo firme e forte no projeto de ler um poema por dia. É um hábito muito revigorante para a mente! E tenho feito isso num sistema de rodízio de livros, alternando autores, estilos e a língua em que está escrito o texto.

Esse livro eu encontrei na Livraria Cultura no Centro do Rio, e a primeira vista fiquei absolutamente encantada com a edição bilíngue! Daí quando comecei a ler passei a ver que o livro não era exatamente o que eu imaginava, pois muitas das poesias apresentadas na verdade são trechos de obras maiores, e o lance é que são pedaços de um compêndio feito há alguns séculos por um fã de poesia grega onde ele colecionou diversos pedaços de poesia classificando por temas e épocas.

A leitura é interessante, e estudiosos de literatura devem se interessar muito por essa obra, mas para o leitor "comum" é um tanto quanto estranho. Além disso, a edição fez uma escolha pouco prática de incluir todas as notas sobre os autores e obras apresentadas no final, sem nenhum tipo de conexão com o texto, não tem número para levar às notas, e as notas não indicam à qual página se referem, o que dificulta muito o seu uso. E como eu fui lendo no esquema conta-gotas, confesso que só realmente vi que haviam notas quando terminei de ler tudo, e, claro, as notas já não serviram de nada. O que achei uma pena, pois são muito ricas e poderiam ter tornado a leitura muito mais interessante.

Fica a dica das notas para quem quiser se aventurar nesse livro!

Nota 7.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Petrobras: Uma história de orgulho e vergonha

Quando aceitei a tarefa de escrever este livro, em maio de 2014, ninguém - nem os policiais federais que iniciaram a Operação Lava Jato, nem os funcionários mais desconfiados da Petrobras, nem os mais ferrenhos críticos das gestões petistas - tinha ideia da extensão da corrupção que havia se instalado na estatal. Àquela altura, a Lava Jato estava em seu estágio inicial. Na verdade, estava em ponto morto. Nenhum acordo de delação premiada havia sido fechado. O investigado que jogara a estatal no radar da operação, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, havia sido preso pela primeira vez, mas já estava solto. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, tinha suspendido as investigações e quase libertado todos os presos a pedido dos advogados de Costa.
 
SPOILER FREE

Esse é um livro que resolvi ler por motivos profissionais, trabalhando na Petrobras é meio que leitura obrigatória, mas, tem a vantagem de se encaixar perfeitamente no tema do Desafio Literário desse mês, um livro sobre ou baseado em uma história real.

A minha amiga que me emprestou havia me avisado que o livro era ruim, no sentido de ser muito tendencioso, mas, eu precisava ler e ver com meus próprios olhos.

Ela estava certa.

Escrito por uma jornalista, e definitivamente não por alguém especializado em corrupção, história e outros assuntos necessários para realmente compreender tudo o que está envolvido na história da maior companhia do país e as corrupções que a sangram desde sempre, o livro tem informações interessantes (e fofocas de corredor quentes e divertidas), mas a forma como elas são apresentadas é risível de tão tendenciosa. Mas tenho certeza que muita gente achou o máximo só porque mostra corrupção ocorrendo durante os governos petistas. Como se isso fosse alguma novidade na história do Brasil. Só rindo.

Com uma análise bem básica dos números apresentados e a diferença em como a jornalista tratou os períodos históricos que precisavam ser analisados para justificar as afirmações grandiosas que ela faz sobre a operação lava jato, já dá pra ver que o livro foi escrito para ser sensacionalista, e não mais do que isso. Além disso, tem o problema do livro ter sido escrito antes de toda a confusão realmente acabar, o que o torna um conjunto de informações e """"análise"""" (precisa de muitas aspas sim) incompleta.

Então, é uma pena. Alguém que se deu o trabalho de ver tantas fontes e simplesmente não aproveitou para fazer um bom trabalho. Podia ter também esperado mais um pouco e fazer a coisa direito, até o fim, ao invés de escrever esse peso de papel.

Nota 3.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Show your work!

    When I have the privilege of talking to my readers, the most common questions they ask me are about self-promotion. How do I get my stuff out there? How do I get noticed? How do I find an audience? How did you do it?
    I hate talking about self-promotion. Comedian Steve Martin famously dodges these questions with the advice, "Be so good they can't ignore you." If you just focus on getting really good, Martin says, people will come to you. I happen to agree: You don't really find an audience to your work; they find you. But it's not enough to be good. In order to be found, you have to be findable. I think there's an easy way of putting your work out there and making it discoverable while you're focused on getting really good at what you do.
SPOILER FREE

Mais um livro na tentativa vã e aparentemente fútil de ler o que tem na minha biblioteca do kindle (nem falo mais no aparelho, até porque o pobre bateu as botas no início do ano, uma tristeza). Mas como mencionei no post anterior, tenho lido no celular a noite (pelo motivo de ser mais leve - no sentido literal) e tenho dado preferência a livros curtos e leves - no sentido figurado, e como eu já tinha lido e adorado o grande best-seller desse autor, "Roube como um artista", o que rendeu a inclusão na minha wishlist e posterior compra em promoção deste título, "Show your work" estava na minha biblioteca.

O trabalho de Austin Kleon, além de interessante do ponto de vista das ideias e do trabalho visual que ele realiza ao longo do texto, pode ser considerado de utilidade pública. Talvez porque eu simplesmente concorde com o que ele defende, mas eu prefiro achar que é porque ele tem razão e realmente mostra essas ideias com bons argumentos.

Dessa vez, ele vem mostrar que no mundo "internético" em que vivemos o que não falta é formas de mostrar o seu trabalho e se autopromover (no bom sentido!). E o divertido é que eu já me peguei fazendo diversas dessas coisas, e já cansei de dizer pra outros artistas fazerem também. E aí, eu assumo a culpa, o meu problema pessoal é a falta de constância em realizar essas autopromoções ou partilhas. A única coisa que realmente consigo manter constante é esse blog aqui de leitura :-)

Mas, sem mais delongas, o livro trata de forma muito leve, divertida, cheia de imagens e citações interessantes desses 10 pontos aqui (tradução livre minha):

1.   You don't have to be a genius / Você não precisa ser um gênio
2.   Think process, not product / Pense no processo, não no produto
3.   Share something small every day / Compartilhe algo pequeno todos os dias
4.   Open up your cabinet of curiosities / Mostre a sua coleção de curiosidades
5.   Tell good stories / Conte boas histórias
6.   Teach what you know / Ensine o que você sabe
7.   Don't turn into human spam / Não vire um spam humano
8.   Learn to take a punch / Aprenda a levar socos
9.   Sell out / Esgotado
10. Stick around / Mantenha-se presente

Infelizmente esse livro do Austin ainda não foi traduzido para o português, mas é fácil encontrar o livro em inglês nas livrarias e em e-books. Super recomendo.

Nota 10!

Howl's Moving Castle - O Castelo Animado

   In the land of Ingary, where such things as seven-league boots and cloaks of invisibility really exist, it is quite a misfortune to be born the eldest of three. Everyone knows you are the one who will fail first, and worst, if the three of you set to seek your fortunes.
   Sophie Hatter was the eldest of three sisters. She was not even the child of a poor woodcutter, which might have given her some chance of success! Her parents were well to do and kept a ladies' hat shop in the prosperous town of Market Chipping. True, her own mother died when Sophie was two years old and her sister Lettie was one year old, and their father married his youngest shop assistant, a pretty blonde girl called Fanny. Fanny shortly gave birth to the third sister, Martha. This ought to have made Sophie and Lettie into Ugly Sisters, but in fact all three girls grew up very pretty indeed, thought Lettie was the one everyone said was more beautiful. Fanny treated all three girls with the same kindness and did not favor Martha in the least.
 
SPOILER FREE

Mais um livro no tema "que teve alguma adaptação" para o desafio literário de março, dessa vez para desenho animado pelo mestre japonês Miyazaki. O original foi escrito pela britânica Diana Wynne Jones, famosa por outras séries além dessa, que tem 3 livros, como Chrestomanci (que eu ainda vou ler, está na lista).

A escolha foi meio aleatória, porque o meu kindle virou um tijolo e ainda não peguei outro (estou o usando o do maridão de vez em quando, mas o dele tem acesso limitado à minha biblioteca por motivos ainda não identificados), e como tenho usado o celular para ler antes de dormir, topei com ele no meio da minha biblioteca virtual enquanto procurava algo que não fosse nem longo nem pesado para ler à noite.

E foi uma agradável surpresa! Para um livro publicado em 1986 a personagem principal Sophie é extremamente independente e feminista. Mas isso em termos de época, ela não é nenhuma Celaena, vamos deixar isso bem claro. O romance no livro não é o que eu diria sensacional, mas foge de uma grande parte dos problemas dos relacionamentos de livros young adult e não deixa, de alguma forma, de ser fofo. E vamos lembrar que essa é uma autora mulher quebrando padrões de gênero escrevendo fantasia, e que fantasia!

Falei do relacionamento, mas esse definitivamente não é o foco do livro (ponto positivo!), o que não pode ser dito com a mesma veemência do filme de Miyazaki (ah, os japoneses...). O livro trata muito mais de como superar limites (às vezes autoimpostos) e vencer obstáculos, tanto reais quanto imaginários, o que o torna muito mais interessante. Toda a questão dos relacionamentos familiares, entre Sophie, suas irmãs e a madrasta, de amizades feitas e desfeitas (gente, o que é o Calcifer? que personagem mais delícia), tudo compõe um livro simplesmente bonito e cheio de simbolismos.

Pena que a adaptação japonesa perca parte desses simbolismos e relacionamentos, em parte por conta da necessidade de adaptar a história para menos de 2h de filme, em parte por uma questão cultural, porque o filme é muito japonês mesmo. De todos os personagens, talvez o que sofreu menos modificações tenha sido o demônio Calcifer, porque outros simplesmente foram misturados, estilo três em um. E olha que o filme ficou legal! Perdeu muito da questão do empoderamento da personagem principal (na minha opinião), mas, como eu disse, é uma questão cultural mesmo, no Japão até as personagens femininas empoderadas são assim de uma forma diferente do que estamos vendo surgir no ocidente (isso as personagens que eu conheço).

Agora é esperar o segundo livro da série entrar em promoção para poder comprar e ler!

Nota 9.

terça-feira, 14 de março de 2017

O diabo veste Prada

The light hadn't even turn green at the intersection of 17th and Broadway before an army of overconfident yellow cabs roared past the tiny deathtrap I was attempting to navigate around the city streets. Clutch, gas, shift (neutral to first? Or first to second?), release clutch, I repeated over and over in my head, the mantra offering little comfort and even less direction amid the screeching midday traffic. The little car bucked wildly twice before it lurched forward through the intersection. My heart flip-flopped in my chest. Without warning, the lurching evened out and I began to pick up speed. Lots of speed. I glanced down to confirm visually that I was only in second gear, but the rear end of the cab loomed so large in the windshield that I could do nothing but jam my foot on the brake pedal so hard that my heel snapped off. Shit! Another pair of seven-hundred-dollar shoes sacrificed to my complete and utter lack of grace under pressure: this clocked in as my third such breakage this month. It was almost a relief when the car stalled (I'd obviously forgotten to press the clutch when attemting to brake for my life).

SPOILER FREE

E chegamos no tema do Desafio Literário de março! Livros que tiveram alguma adaptação. Sei que na minha lista eu havia planejado outros livros, mas eu estava com vontade de ler algo mais leve e lembrei de "O diabo veste Prada", afinal como esquecer Meryl Streep?

E ao ler a obra original me deparei com um caso raríssimo em que o filme é melhor do que o livro. Fator Meryl Streep à parte (mas que, claro, contribui muito), o maior problema para mim está na narradora/personagem principal. É uma das protagonistas mais chatas que já vi, chata e imatura. A moça é tão sem noção que tive até simpatia pela Miranda Priestly, deve ser terrível você ter uma assistente que detesta o próprio trabalho e o local onde trabalha e o produto gerado pelo próprio trabalho.

A Andrea é tão antipática que ela só consegue fazer uma amizade na tal revista Runaway. Uma. E é por escolha, porque ela passa o livro inteiro menosprezando ou julgando todos os seus colegas de trabalho e depois não entende porque ninguém quis manter contato. Digamos que ela não é um bom exemplo de networking.

É o tipo de livro em que você passa a leitura inteira tendo uma aula sobre o que evitar na vida e como não se comportar nessas situações. Nem o relacionamento amoroso se safa. O namorado da Andrea é outro chato, metido a superior, que acha que está sempre certo e fica querendo dar lição nos outros. Acho que na verdade nenhum personagem nessa história se safa. São todos chatos.

Se a qualidade da escrita fosse memorável talvez o livro como um todo fosse interessante. Mas não é o caso.

E eu ainda descobri que o livro tem uma continuação, o que eu nem imaginava. E, não, não pretendo nem chegar perto para ler.

Nota 3.

domingo, 5 de março de 2017

A Viagem Iniciática


   Este livro é um depoimento sobre uma iniciação vivida nos dias de hoje no Ocidente e sobre o caminho que conduz a uma sabedoria, a uma plenitude, a uma harmonia que todos buscamos em nós mesmos e à nossa volta.
   Num bonito e frio dia de inverno, tive a sorte de encontrar um Mestre de Obras do século XX, um desses homens que continuam a transmitir um ritual e os valores iniciáticos.
  Quando esse homem de estatura média, ombros largos e cabelos prateados se aproximou de mim, compreendi que a minha vida iria se transformar. Eu contemplava, havia mais de uma hora, uma série de esculturas gravadas num dos pórticos da catedral de Metz, convencido de que a busca que me levara até aquele loca não havia sido em vão. As imagens representadas na pedra eram um relato extraordinário, oferecido aos olhos de todos. Contudo, ninguém tivera a ideia de lê-lo e eu mesmo estava perplexo.

SPOILER FREE

Mais um livro do Carnaval! Fazia muito tempo que eu não lia nada do Christian Jacq, um escritor francês que também é egiptólogo. Normalmente eu leio os seus romances históricos faraônicos, que são deliciosos, mas esse eu encontrei certo dia numa livraria (que não me lembro mais qual foi) e não resisti simplesmente porque trata dos símbolos encontrados numa catedral medieval. E eu adoro simbologia!

De certa forma, esse livro me lembrou muito o livro sufi "A conferência dos pássaros", só que menos poético, já que não há uma história, uma narrativa, que sirva de alegoria para o Caminho. As explicações são bem mais diretas, as alegorias ficam a cargo dos símbolos utilizados no portal da catedral para cada "grau de sabedoria" e dos mitos e histórias que são mencionados conforme a conversa entre o autor e a figura do Mestre de Obras vai se desdobrando.

De forma geral, o que me incomoda nesse tipo de livro é a total ausência de figuras ou alegorias ou símbolos femininos, o que eu considero muito bizarro, visto que o ser humano (estou sendo totalmente genérica aqui de propósito) possui traços masculinos e femininos que precisam ser equilibrados e trabalhados, ninguém pode esquecer nenhum dos dois lados dessa balança. Podemos argumentar que alguns dos símbolos apresentados tem conexão com o feminino, sim, mas a jornada em si parece ser exclusivamente masculina, no sentido em que parece ter sido pensada unicamente para um homem estereotipado, e um homem sem família.

Não deixa de ser bonito e informativo. O trabalho com símbolos é riquíssimo e cheio de ensinamentos valiosos, mas penso que para sermos mais completos precisamos ir além do que é apresentado aqui. Isso é uma birra pessoal minha com caminhos onde só existe um deus e ele é visto como uma figura masculina, sempre me incomodou.

Mas certamente vale a leitura. Christian Jacq sempre nos traz textos deliciosos de ler.

Nota 9.

Batman: O Cavaleiro das Trevas - Edição Definitiva




SPOILER FREE

Mais um livro para o tema de fevereiro do Desafio Literário, que, lembrando, é um livro que tenha sido um marco no seu gênero. E aí, estava eu em casa durante o Carnaval, olhando a estante de Graphic Novels, procurando uma para ler e lembrei que "O Cavaleiro das Trevas" foi um marco, se não no gênero das Graphic Novels (o que acho que é), certamente na forma como o Batman foi retratado a partir da sua publicação.

Escrito pelo doidinho do Frank Miller, a edição definitiva da Panini (que tem mais de uma edição definitiva com capas diferentes, diga-se de passagem) vem com os dois volumes, ou melhor, as duas séries publicados com mais de 10 anos de distância uma da outra e um prefácio bacaninha do próprio autor. O problema, na minha opinião, está na diferença de qualidade entre esses dois volumes.

Enquanto o "Cavaleiro das Trevas" original é realmente sensacional e marcou toda uma geração de quadrinhos e de filmes de heróis, com uma qualidade gráfica excepcional e uma nova Robin maravilhosa, a segunda série morreu muito longe da praia. A diferença é tão brutal e gritante que é difícil aceitar que as duas histórias são do mesmo autor.

Para exemplificar o que eu quero dizer em termos de imagem:

A série original de 1986:

A versão feminina e maravilhosa de Robin!
Essa imagem é linda! Toda a composição é bonita!
Gente, o Coringa passando batom, tem coisa melhor do que isso?
Agora a segunda série publicada depois de 2000:
É tanta coisa complicada que nem sei por onde começar: a roupa da "gatinha"? A posição absolutamente bizarra e desnecessária? A escolha feia de cores e desenho?

Eu só acho que essa é a roupa mais feia da Mulher Maravilha que existe. Fora todo o resto.
Agora, em termos de enredo, a segunda série tem tantos problemas e escolhas ruins que eu nem sei por onde começar ou como abordar sem dar spoilers. A minha sensação é que o autor estava numa fase ruim e cheia de ódio de tudo e de todos e resolveu colocar tudo pra fora de qualquer jeito. E quando eu digo de qualquer jeito eu quero dizer que parece que o trabalho foi feito nas coxas, uma coisa mal feita mesmo. Não sei como deixaram isso ser publicado.

Como faz? Nota 9,5 para o Volume 1 e nota 2 para o Volume 2. A média não faz jus a nenhum dos trabalhos.

A dica é ler só o primeiro e deixa o segundo cair no esquecimento. Não perca o seu tempo.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Dreamcatcher - O apanhador de sonhos

   It became their motto, and Jonesy couldn't for the life of him remember witch of them started saying it first. Payback's a bitch, that was his. Fuck me Freddy and half a dozen even more colorful obscenities originated with Beaver. Henry was the one who taught them to say What goes around comes around, it was the kind of Zen shit Henry liked, even when they were kids. SSDD though; what about SSDD? Whose brainstorm had that been?
   Didn't matter. What mattered was that they believed the first half of it when they were a quartet and all of it when they were five and then the second half of it when they were a quartet again.
   When it was just the four of them again, the days got darker. There were more fuck-me-Freddy days. They knew it, but not why. They knew they were caught, but not exactly how. And all this long before the lights in the sky. Before McCarthy and Becky Shue.
   SSDD: Sometimes it's just what you say. And sometimes you believe in nothing but darkness. And then how do you go along?



 SPOILER FREE

Para variar estou atrasada nas resenhas... esse livro foi do tema do Desafio Literário de Fevereiro, onde a ideia era ler um marco de um gênero. Como eu já havia mencionado no meu planejamento de leituras do ano, resolvi ler qualquer coisa do Stephen King porque ele em si é um marco do gênero de terror.

Por uma razão de: achei esse primeiro entre os livros dele no meu Kindle (o que vou considerar como um quase sorteio, uma aleatoridade que está prevista no Desafio desse ano e que em teoria vale mais pontos, mas quem está contando? eu só conto livros) resolvi ler Dreamcatcher - O apanhador de sonhos na edição brasileira.

Apesar de um amigo meu ter comentado que esse volume não era o melhor do Stephen King (o que é verdade, ele não está no mesmo nível de um "Iluminado"), eu gostei muito do livro. Com um quê de ficção científica com direito a invasores alienígenas, Dreamcatcher não é uma história típica do Stephen, mas não é menos divertido por conta disso, até porque mesmo nesse caso o autor não conseguiu escapar completamente do seu gênero e do seu gosto pelo inexplicável que pode ser espiritual.

De quebra, um dos personagens importantes da história é especial! O que achei uma evolução nos livros de King (ainda não tinha encontrado personagens assim nos livros que li dele, então desculpem se deixei algum exemplo de fora). E esse fato não reduz em nada a quantidade de palavrões no texto, fiquem avisados.

Se Dreamcatcher tem um defeito é ser um tanto quanto longo, aproximadamente 900 páginas, o que deixam algumas passagens um pouco longas demais, apesar de que a mudança de ponto de vista da narrativa entre os diversos personagens suavize muito a sensação (e é um ponto positivo). Mas mesmo assim a leitura fica por vezes cansativa. Além, claro, de demorar para terminar. Não é a toa que a resenha acabou saindo no mês seguinte, mesmo não atrasando tanto assim para sair (quase uma semana).

Somando prós e contras, nota 9!

The Illustrious Jade Egg



SPOILER FREE

Esse é um livro tão curtinho que é quase um folheto sobre o uso do Jade Egg, mas extremamente informativo e tranquilo de ler. Imagine um guia rápido com as informações mais importantes que você precisa manter em mãos, é isso.

Para os curiosos (todos, imagino), o Jade Egg é uma prática milenar oriental ligada ao Taoísmo, que consiste no uso de uma gema feita de Jade no formato de um ovo (muito óbvia essa parte) para exercícios e meditações femininas para a saúde do sistema reprodutor feminino. Vale ressaltar que a autora, Saida, foi muito cuidadosa na linguagem que ela utiliza, de forma que o texto é amigável aos LGBTs, o que me surpreendeu positivamente, pois já cansei de ler textos de linhagens espirituais que poderiam não ser preconceituosas, mas que são até o último fio de cabelo.

Eu curti tanto o livro/folheto que fui catar mais livros escritos pela autora e já estou lendo outro, bem mais abrangente no assunto, que consegui encontrar na Amazon.

Nota 10

Leitores interessados no assunto, favor tratar inbox comigo, pois tenho indicações de contatos para esse trabalho no Brasil.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Poemas

As três palavras mais estranhas


Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
suprimo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não ser.


SPOILER FREE

Depois de devorar o meu primeiro livro de Wislawa Szymborska eu juro que tentei me controlar para o segundo durar mais, mas não deu. A poetisa polonesa é tão maravilhosa que não dá para ler um poema só, e quando vi o livro já tinha acabado.

Entre as duas seleções de poemas confesso que gostei mais da primeira, mas o fato dela ser maior pode ter uma alta correlação com isso. Afinal, quanto mais poemas, maior a quantidade de marcadores de poemas de que gostei.

Wislawa é uma poetisa extremamente moderna, no sentido de que foge dos temas tradicionais da poesia e incorpora elementos da vida contemporânea de forma muito original e até mesmo inusitada. Como uma polonesa que viveu durante a segunda guerra mundial, as problemáticas da violência e especificamente das ocorridas nessa época, o que inclui a questão do racismo/xenofobia, surgem com frequência em sua poesia, o que gera algumas obras um tanto quanto pesadas ou sombrias. Mas extremamente necessárias, e por que não dizer, importantes nos dias de Trump.

Como acabaram as suas obras traduzidas para o português, agora estou apelando para as lançadas em inglês. Virei fã.

Nota 10.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ariel

Kindness

Kindness glides about my house.
Dame Kindness, she is so nice!
The blue and red jewels of her ring smoke
In the windows, the mirrors
Are filling with smiles.

What is so real as the cry of a child?
A rabbit's cry may be wilder
But it has no soul.
Sugar can cure everything, so Kindness says.
Sugar is a necessary fluid,

Its crystals a little poultice.
A kindness, kindness
Sweetly picking up pieces!
My Japanese silks, desperate butterflies,
May be pinned any minute, anaesthetized.

And here you come, with a cup of tea
Wreathed in steam.
The blood jet is poetry,
There is no stopping it.
You hand me two children, two roses.


SPOILER FREE


Nesse último final de semana terminei vários livros de poesia que fui lendo no esquema de uma poesia por dia (mais nos finais de semana, claro). Depois de Ondjaki terminei meu primeiro (e provavelmente último) livro da poeta americana Sylvia Plath.

"Ariel" foi publicado postumamente ao suicídio da autora e é um dos marcos da sua obra relativamente pequena, além de ser um marco da poesia moderna norte-americana. Como é de se suspeitar, Sylvia sofria de depressão crônica e há documentação de pelo menos mais uma tentativa de suicídio dela quando mais nova, e isso se reflete fortemente na sua obra.

O seu estilo, que é extremamente pessoal e autobiográfico (ou assim é classificado), é marcado pela depressão e pelas visitas constantes a médicos e clínicas psiquiátricas, o que torna o texto extremamente pesado e com uma quantidade de termos médicos um tanto quanto incomum na poesia. Sua obra foi muito utilizada para tratar também de abusos à mulher, e muitos fizeram uso do que ela escreveu para acusar o seu marido de violência doméstica. A questão da veracidade disso não me incomoda, visto que ninguém conseguiu provar nada e que não necessariamente o que está na arte fazia parte de forma literal na vida do artista. Acho a questão dos problemas psiquiátricos muito mais relevante nesse caso.

Independentemente disso, a poesia de Sylvia é daquelas que saem rasgando tudo, com um peso que eu não esperava e que, na verdade, não me agradou. Entendo quem curta, a qualidade do texto mesclado com o inédito do tema e, de certa forma, do formato, realmente a marcam como uma autora singular e importante. Mas definitivamente não é pra mim.

Nota 5.

Há Prendisajens com o Xão


CHÃO
         
palavras para manoel de barros

apetece-me des-ser-me;
reatribuir-me a átomo
cuspir castanhos grãos
mas gargantadentro;
isto seja: engolir-me para mim
poucochinho a cada vez.
um por mais um: areios.
assim esculpir-me a barro
e re-ser chão. muito chão.
apetece-me chãonhe-ser-me.


SPOILER FREE

Ondjaki já apareceu algumas vezes aqui no blog, mas com prosa, esse foi meu primeiro livro de poesias dele.  E novamente ele me surpreendeu positivamente.

O autor angolano tem um poder incrível de ressignificar palavras e recria-las de forma que às vezes parece que estamos lendo uma outra língua, própria dele, mas que é não só compreensível como absolutamente linda e poética (não consegui evitar esse adjetivo).

"Há Prendisajens com o Xão" é, infelizmente, curtinho, o que dá uma certa tristeza quando chegamos no final, e ainda não temos à disposição uma seleção tão completa de suas obras aqui no Brasil. Mas ainda tenho uns romances dele na minha estante me aguardando (estou de olho grande neles, mas a lista de leituras é extensa), e agora tenho motivos para buscar seu nome nas prateleiras de poesia também. Angola está muito bem representada com ele, e a nossa língua também.

Nota 10.

The Natural Year

If we, too, regulated our lives by our natural clock we would find a much easier ride. Our bodies would be healthier, our emotions more balanced, our hopes and aspirations might stand a better chance of becoming reality. Living by the seasons, learning through the seasons, we could get back into balance with the natural scheme of life. Losing weight can become easy when you pick the right time to do it, with the right preparation. Relationships become less fraught when you understand that our emotions equally have cycles - that there are times to be close and loving but equally times to get away from each other and venture into the wider world. Choose the right time to change your job and your whole careerpath could transform overnight. And your soul will rejoice if you give it back its rightful sojourn of solitude and contemplation.


SPOILER FREE

Esse foi um livro que eu comecei a ler no ano passado, mas por motivo de férias e de tamanho do bichinho, só terminei de ler na semana passada. A ideia é bem objetiva, a autora apresenta um trabalho na linha do jornalismo sobre o que grandes linhas da filosofias orientais (especialmente a ayurveda e a medicina chinesa) sobre as formas mais adequadas de ajustar o nosso dia a dia com as estações do ano.

Com uma pitada sobre os festivais celtas presentes no paganismo moderno que marcam as estações do ano, Jane Alexander apresenta as principais características de cada uma e como elas influenciam nossos corpos e mentes, e como tirar proveito de cada estação para maximizar suas possibilidades, além, é claro, de formas de prevenir os males mais comuns de cada época. Isso inclui descrições com graus variados de detalhes de inúmeras terapias, sugestões de dietas, exercícios físicos e explicações básicas sobre os tipos físicos que são usados na medicina indiana e na chinesa.

Tudo isso é muito interessante e o livro é realmente muito informativo. Mas ao mesmo tempo torna a leitura um tanto quanto lenta, e às vezes um pouco repetitiva, pois depois da 20ª terapia você não lembra mais da primeira e elas se misturam na sua cabeça. Talvez se a seleção fosse menos extensa a leitura ficasse mais dinâmica.

Para um livro que se propõe informativo e de uso consultivo, senti falta de algumas tabelas de correspondência, resumos ou que, de forma geral, fosse mais fácil encontrar as informações ao longo do texto. Mas o pior nesse sentido é a falta de uma bibliografia ou sugestão de livros no final (ou no início), até porque ao longo do texto a autora cita diversas obras, e eu estava crente que encontraria uma listinha em algum lugar com todas elas e não precisaria ficar anotando ao longo da leitura. Ledo engano.

No final das contas a ideia é muito boa, as informações são interessantes e bem completas, mas a organização e realização do trabalho deixam a desejar.

Nota 7.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

More Weird Things Customers Say in Bookshops


CHILD: Mummy, who was Hitler?
MOTHER: Hitler?
CHILD: Yeah. Who was he?
MOTHER: Erm, he was a very bad man from a long time ago.
CHILD: Oh. How bad?
MOTHER: He was like ... he was like Voldemort.
CHILD: Oh! That's really, really bad.
MOTHER: Yes.
CHILD:
(pause) So, did Harry Potter kill Hitler, too?

SPOILER FREE

E novamente estou atrasada nas resenhas. Tudo bem, voltar ao trabalho dá nessas coisas.

Como é bem óbvio, esse é o volume que segue "Weird things customers say in bookshops", com nada mais do que mais do mesmo. É divertido? Certamente. Tem coisas novas? Não exatamente.

Esse volume sofre de repetições de coisas já feitas no volume anterior. Claro que cada caso é um caso e não tem nenhuma história repetida, mas ele me pareceu se apoiar demais nas histórias de "ignorância do consumidor, que cisma num nome errado (título, autor, tem de tudo, e alguns são realmente engraçados pois lembram a personagem da Velha Surda) ou faz afirmações incorretas sobre autores famosos, o que pode ser engraçado se você entende do assunto, mas pessoalmente acho esse tipo de humor fraco (exceto o da Velha Surda, pois adoro), porque não acho ignorância algo engraçado e sim triste". Sim, isso é um pedaço da resenha do volume anterior (achei apropriado).

Em compensação, ele também me pareceu ter mais causos com crianças, o que é sempre uma delícia de ler. Levando em consideração que a leitura é leve e o livro é curtinho, se você curtiu o primeiro volume, certamente vai gostar também do segundo.

Mesmo com os problemas, fiquei com vontade de ler outros livros da autora, que já lançou outros volumes sobre livrarias, bibliotecas e livros em geral.

Nota 7,5.


sábado, 28 de janeiro de 2017

Fountain and tomb


I enjoy playing in the small square between the archway and the takiya [monastery] where the Sufis live. Like all the other children, I admire the mulberry trees in the takiya garden, the only bit of green in the whole neighborhood. Our tender hearts yearn for their dark berries. But it stands like a fortress, this takiya, circled by its garden wall. Its stern gate is broken and always, like the windows, shut. Aloof isolation drenches the whole compound. Our hands stretch toward this wall - reaching for the moon.

SPOILER FREE

Mais um livro de um dos meus autores favoritos, o egípcio ganhador do Nobel Naguib Mahfouz. Infelizmente, pra variar, é mais um volume que não foi traduzido para o português, o que pra mim simplesmente não faz sentido, pois o trabalho do autor é simplesmente maravilhoso e muito vasto para termos apenas uma meia dúzia de traduções.

Dessa vez, o livro traz diversos contos bem curtinhos que retratam a infância do autor num bairro na periferia do Cairo. O quão autobiográfico as histórias realmente são (ou quantas) é um mistério, mas a qualidade da escrita não deixa dúvida sobre a grandiosidade de Mahfouz. Esse volume que consegui, em específico, ainda tem diversas ilustrações belíssimas, que para mim, como aficionada pelo mundo árabe, é de um deleite incrível.

Outro ponto que gostei foram as descrições sobre as brigas de rua, que descrevem o uso dos bastões pelos egípcios como forma de arte marcial que hoje, aqui no ocidente, só vemos de forma bem distorcida através da dança do bastão retratada na dança do ventre. Quanto a isso eu tenho uma lembrança particularmente especial, certa vez vi num show um cantor egípcio e um bailarino profissional (egípcio também) que mora na Alemanha fazerem essa luta, mas numa versão mais suave, dançada (pense em capoeira), e precisei me conter para não rir, pois o pobre bailarino quase apanhou de verdade, mal podia se defender dos movimentos do egípcio, que apesar de parecerem suaves certamente tinham uma potência de quem fazia isso nas ruas, de "brincadeira", como descrito nesse livro do Mahfouz. Literatura é fonte de conhecimento!

Eu não tenho palavras suficientes para descrever o quão maravilhoso é o trabalho de Naguib quando ele acerta na mão. É realmente sensacional e de tirar o fôlego.

Nota 10.